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Metas coletivas, não individuais ? quem se habilita?

A premissa de que o profissional ? para empenhar esforços em obter resultados superiores para a organização em que trabalha ? precisa de uma motivação financeira individual e específica é hoje a base de praticamente todos os planos de negócios e sistemas de remuneração variável em uso no mercado.

Provavelmente, algumas pessoas dirão que trabalham sob um sistema de premiação dupla: individual e coletiva (esta última associada a algum objetivo departamental ou da empresa como um todo). Minha experiência mostra que nestes casos o resultado coletivo ? ainda que bem-vindo – fica em segundo plano, e não costuma ser muito discutido pelas pessoas enquanto não estão seguras de que poderão cumprir suas metas individuais.

Escrevi sobre isso aqui neste espaço há algum tempo, dizendo que ?a razão pela qual as empresas escolhem a avaliação de desempenho individual é que seus líderes não conseguem inspirar/gerir o grupo na direção certa, com colaboração?.

É interessante perceber que todas as conquistas e invenções da humanidade são fruto de algum tipo de colaboração direta ou indireta: as pessoas melhoram e ampliam as idéias de outros, e descobrem novas conexões entre o que foi pensado antes e as novas necessidades que se apresentam. Este fato deveria estimular as organizações a promoverem a troca de experiências e o trabalho em grupo. Há um certo temor por parte dos executivos de perderem o controle sobre seus subordinados se admitirem um ambiente mais flexível e com menor grau de conflitos.

Trabalhei com uma empresa em que o ?mote? mais constante era ?quando juntamos a diversidade de talentos que possuímos, somos invencíveis … o problema é que raramente fazemos isso? . E não o fazem porque os ?talentos? estão ocupados buscando obter os resultados pelos quais serão remunerados, avaliados e, eventualmente, promovidos. Trabalhar em grupo, colaborar, requer uma confiança no outro e um desprendimento pessoal que são muito raros.

A frase de Alfred Montapert que abre esta coluna de certa maneira explica esse paradoxo: as pessoas não ficam nas empresas, não permanecem nos cargos por muito tempo, estão apenas em busca de uma conquista pessoal ? possível ou impossível. Não investem nos relacionamentos. E relacionamento é tudo. Por isso, a maior parte dos negócios não duram.

Em um tempo em que se fala tanto em inovação, talvez fosse interessante ampliar o foco do que se busca inovar, não ficando somente nos processos, produtos e serviços. Que tal inovar ? para valer ? a forma como a organização promove um ambiente produtivo e saudável de trabalho? E por que não apostar nas metas coletivas?

Sergio Lozinsky é consultor de tecnologia e gestão empresarial

 

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