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Mentalidade digital exige transformação cultural, avaliam CEOs

O Brasil vive um déficit de talentos em tecnologia. Segundo dados da Korn Ferry são, atualmente, quase 300 mil postos abertos em TI, que não são preenchidos por falta de profissionais qualificados e especialmente alinhados à nova era digital. O que é preciso, portanto, para mudar esse cenário crítico e altamente desafiador?

Rodrigo Galvão, presidente da Oracle, Gustavo Genari, CEO da Fiap, Leonardo Caetano, CEO da Generation Brazil, e Eduardo Varela, CEO da Code:Nation, foram enfáticos ao dizer no painel “Digital mindset: requalificar e formar para empresas em transformação”, durante o IT Forum 2019, que acontece de 17 a 21 de abril, na Praia do Forte (BA), que o cerne da questão está em mudar a mentalidade dos profissionais e isso exige uma reformulação cultural.

Galvão afirmou que o tema é prioritário em sua agenda e lembrou que o Movimento Brasil Digital, impulsionado pela IT Mídia em 2017 e que conta hoje com o apoio de 27 empresas, nasceu para fechar essa lacuna. “Acredito no projeto porque penso que juntos chegaremos longe. Precisamos conectar e entender os desafios que temos hoje e mudar o status quo”, contou ele.

Genari lembrou dados preocupantes do mercado que indicam que no Brasil apenas 14% dos estudantes universitários se formam em disciplinas Science, Technology, Engineering, Arts e Mathematics (STEAM). Em países desenvolvidos esse número sobe para 24%. Para ele, resolver o problema de formação e ainda de desenvolvimento do pensamento digital passa por uma união das iniciativas pública, privada e academia.

Para o CEO Fiap, o mindset de transformação digital passa por aprendizado ágil e contínuo. “Um país com talentos com essas competências está preparado para o futuro”, sentenciou.

Varela afirmou que o Brasil conta com muitos talentos. O problema, no entanto, é que eles precisam ser descobertos e treinados, pois grande parte encontra-se fora dos grandes centros comerciais, como São Paulo e Rio de Janeiro. Esse é um papel, inclusive, assumido pelo Code:Nation, já que a empresa atua na formação de desenvolvedores por meio de programas de aceleração e desafios de programação voltados ao aprendizado. A visão do executivo é de que é preciso fomentar não só o aprendizado na universidade, como também fora dela, durante toda a vida.

Quem pensa de forma semelhante é Caetano, que está à frente da Generation Brazil, organização independente e sem fins lucrativos fundada em 2014 pela McKinsey & Company para ajudar a eliminar a lacuna de pessoas desempregadas. Segundo ele, a atuação da Generation Brazil passa por fazer talentos e empresas entenderem que apenas o desenvolvimento de competências técnicas não é o suficiente. É preciso ir além e fomentar a evolução de competências comportamentais. “Essa discussão tem de ser a base da nova formação”, comentou.

Mudança de mentalidade também nas empresas

Galvão, da Oracle, contou que as empresas também precisam mudar suas mentalidades e fomentar a diversidade para criar o mindset digital. É por isso que a gigante passou a contratar diferentes gerações, com diferentes competências. Tudo isso usando um software com inteligência artificial (AI) para eliminar qualquer tipo de bias.

Como antecipação às novas demandas de mercado, a Fiap já mudou seu modelo de atuação. Hoje, contou Genari, todos os alunos aprendem com base em problemas reais de mais de 40 empresas parceiras da entidade e não mais em materiais didáticos, tão comuns em universidades e entidades educacionais tradicionais.

Na visão de Varela, da Code:Nation, essa postura é fundamental. Ele acrescentou, ainda, que organizações têm de trabalhar para não transformar os indivíduos em iguais e apostar na colaboração como modelo fundamental de trabalho.

Desenvolvimento de habilidades

Todos os executivos participantes do painel concordaram que o conhecimento ágil e o aprendizado contínuo são chave na nova era. Genari, da Fiap, completou dizendo que as empresas precisam fazer uma reflexão sobre se estão desenvolvimento conhecimento nos talentos ou apenas repassando conhecimento, sem fomentar a aquisição de competências.

Os participantes da plateia, todos CEOs das maiores empresas instaladas no Brasil, revelaram que a transformação do mercado tem impulsionado o desenvolvimento de capacidades dos colaboradores. Contudo, para alguns talentos há uma certa resistência sobre aprender a lidar com a transformação digital.

“Passamos todos pelo mesmo desafio. Mas tenho visto que esse é um trabalho contínuo, de consistência. Parte está no processo de diálogo, abertura. Caso contrário, mergulhamos nos negócios e não olhamos para isso”, refletiu.

Para finalizar a discussão, Carlos Arruda, professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e líder dos estudos do Movimento Brasil Digital, conclui, que, de fato, a transformação precisa começar com os líderes.

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