A maior parte das empresas brasileiras planeja manter ou aumentar o investimento e a produtividade por meio de aportes em tecnologia e capacitação, além de esperar o crescimento de suas receitas em 2022, identificou a pesquisa “Agenda”, feita anualmente pela consultoria Deloitte. O levantamento contou com a participação de 491 empresas, cujas receitas líquidas totalizaram R$2,9 trilhões em 2021. Do total dos respondentes, 64% estão em cargos de liderança C-Level.
Entretanto, o empresariado brasileiro se mostrou conservador com as perspectivas de crescimento da economia deste ano. A maioria dos entrevistados (59%) aposta em estabilidade ou queda do PIB, enquanto 41% espera crescimento do indicador.
“Mesmo com incertezas no ambiente de negócios, as organizações continuarão investindo em transformação digital, capacitação profissional e melhoria contínua de suas operações”, destaca João Gumiero, sócio-líder de Market Development da Deloitte. “Em cenários mais voláteis, a resposta das organizações sempre requer planejamento e pragmatismo”, complementa.
Os principais investimentos em tecnologia, de acordo com os entrevistados, serão em aplicativos, sistemas e ferramentas de gestão (96%); infraestrutura (96%); gestão de dados (95%); segurança digital (95%); customer marketing (81%); atendimento ao consumidor (78%); e canais de venda online (71%).
No processo de consolidação da transformação na Indústria 4.0, as tecnologias emergentes também ganham cada vez mais espaço nas empresas. Entre os investimentos nessas tecnologias, estão robôs móveis autônomos (AMR) (39%), digitalizações do parque fabril (34%) e realidade virtual/aumentada e drones (29%).
A maioria (75%) investirá em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) ao longo de 2022; 59% devem focar em pesquisa aplicada, 44% em desenvolvimento experimental, 26% em pesquisa básica dirigida e 17% em tecnologia industrial básica.
Colaboração parece também ser uma das palavras-chaves para 2022. Neste ano, segundo os executivos ouvidos, estão previstas ações de inovação realizadas colaborativamente. Entre as estratégias citadas estão treinamento de equipes (58%); interação com clientes (56%); troca de conhecimento e experiências (53%); apoio para adoção de novas tecnologias (52%) e desenvolvimento de novos produtos e serviços (50%). Dos ouvidos, 42% também planejam a realização de eventos.
Ainda sobre colaboração e investimentos, 53% intensificarão parcerias com startups. É também alta a parcela de empresas (85%) que pretendem lançar produtos ou serviços em 2022.
Segundo a Deloitte, mais da metade das empresas (53%) pretende aumentar o quadro de funcionários, enquanto 18% preveem a manutenção do quadro atual sem substituições. Apenas 5% deve diminuir o número de profissionais.
Entre aqueles que devem diminuir e/ou substituir funcionários, 56% deles devem fazer as substituições por profissionais mais qualificados; 30% diminuirão para reduzir custos, 28% por causa da robotização ou automação de processos, enquanto 18% alegam a diminuição da demanda.
A ampla maioria (90%) dos respondentes planeja investir em treinamento e formação de funcionários. Além disso, nove em cada dez empresas vão aumentar ou manter investimentos em qualificação tecnológica, e a maior parcela (78%) vai direcionar esses treinamentos a diversas áreas da empresa. Essa necessidade de maior qualificação reflete uma lacuna estrutural na formação desses profissionais.
Quando questionados sobre quais são as principais preocupações para o ambiente de negócios no Brasil, a maioria dos entrevistados (68%) apontou a evolução do processo eleitoral que culmina nos pleitos de outubro.
Instabilidades políticas (65%), inflação acima de 5% (61%) e alta dos juros (50%) foram outras preocupações apontadas em respostas múltiplas, segundo a Deloitte.
Com o mundo vivendo uma escalada de novos casos diários de Covid-19, praticamente metade dos pesquisados (47%) apontou a nova onda da Covid-19 como preocupação. A desvalorização do real (43%), riscos fiscais (40%) e crises hídrica e energética (34%) também foram mencionadas pelos respondentes.
Apesar dessas preocupações, 21% dos entrevistados ainda esperam crescimento das vendas maior do que 20%; já a taxa média de crescimento de vendas esperada pelas organizações é de 10,2%. Apenas 6% dos participantes esperam queda nas vendas.
Das empresas ouvidas pela Deloitte, 33% delas são de prestação de serviços, 15% de bens de consumo, 15% de infraestrutura, 12% de TI e Telecomunicações, 9% de Agro, Alimentos e Bebidas, 7% de serviços.
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