“A competitividade está associada não só ao ambiente macro-econômico, mas também à capacidade do país em se reinventar – e, nas empresas, isso se chama inovação”. Com essa mensagem, Carlos Arruda, professor nas áreas de Inovação e Competitividade da Fundação Dom Cabral (FDC), iniciou as atividades do Reseller Conference 2007, na palestra “Longevidade e Performance Empresarial”. Ao citar exemplos práticos de empresas que sucumbiram ao desafio de se manterem longevas, bem como de companhias bem-sucedidas nessa tarefa, o especialista pontuou itens essenciais para o canal de distribuição de TI e telecom.
Além de limite de capital, falta de políticas de sucessão, carência de visão a longo prazo e entraves tributários, as empresas locais são ameaçadas também pelo próprio processo educacional no Brasil. Segundo o especialista, nos Estados Unidos, por exemplo, os profissionais são preparados para desenvolver um perfil empreendedor, enquanto o sistema local de ensino é orientado a grandes empresas. “Não temos uma educação empreendedora, mas sim de empresários”, pontua Arruda.
Para construir o cenário desenhado pelas empresas brasileiras, o professor destacou um estudo realizado pela FDC, a partir do grupo das 500 Maiores e Melhores Empresas apontadas pela Revista Exame. Segundo o levantamento, apenas 23,4% desse universo (ou seja, 117 companhias) permaneceram no ranking desde sua primeira edição, em 1973, até 2005. Já em uma análise mais aprofundada, a Fundação selecionou 14 organizações, das quais 10 sobreviveram, dentro do mesmo período. Entre os setores mais frágeis nesse processo de continuidade de negócios, estão confecções e têxteis, construção, serviços de transporte e alimentos, bebidas e fumo.
De acordo com a pesquisa, os principais condutores do desaparecimento dessas empresas respondem pelo movimento de aquisições (36,5%), fechamento de operações (12,4%), falências (10,3%), fusões (9,0%) e outros fatores não identificados (21,9%) – sendo que todos os casos de descontinuamento de atividades estão associados a uma crise.
A partir dos exemplos observados, a instituição notou que, para alcançar a longevidade dos negócios, não basta manter valores e uma identidade. “As empresas precisam se questionar, a todo tempo, sobre o que elas ainda não sabem”, sugere Arruda. Na avaliação do professor, entre as condições fundamentais para o sucesso de uma companhia, está o trabalho de preparar a sucessão de profissionais em todos os níveis. Além disso, figura a flexibilidade para superação de crises, seguida pelo estabelecimento de metas de crescimento aliado à lucratividade, de forma a balancear esses dois aspectos. “Para uma empresa de médio porte, o ideal é acompanhar um incremento de 15% a 20% ao ano”, avisa o especialista. Para complementar, cita uma liderança capaz de orientar e estar aberta a mudanças.
Na tarefa de lidar com o futuro, Arruda alerta para o cuidado em adotar mecanismo que nem sempre são eficazes, como o planejamento de acordo com uma lógica linear, já que determinados acontecimentos provocam uma ruptura dos padrões atuais, como foi o surgimento do Google. Segundo o especialista, esse trabalho deve partir da captação de sinais que, muitas vezes, não podem ser calculados. “A ligação com a empresa faz com que os líderes percebam sinais que nem sempre são racionais, mas sim intuitivos”.
Silvia Noara Paladino é repórter da CRN Brasil e Reseller Web
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