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Livro aborda uso do inglês para prestação dos serviços de TI

Os profissionais de TI têm um novo aliado para evitar mal-entendidos na hora de acertar especificações, prazos e se comunicar plenamente com clientes e fornecedores internacionais. O livro “O inglês na Tecnologia da Informação”, lançamento da Disal Editorial, é um guia prático de conversação, totalmente inserido no contexto de um projeto de desenvolvimento de sistemas.

O conteúdo do livro foi criado durante a construção da certificação Englisoft (de conhecimento de inglês para TI), uma iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia e de entidades setoriais, da qual participou Cristina Schumacher, uma das autoras do livro, junto com Francisco Araújo da Costa (jornalista e tradutor) e Rebecca Ucich (analista de sistemas australiana).

“A intenção foi fornecer ao usuário do idioma um apanhado das comunicações típicas dos contextos comunicativos em que ele está inserido”, diz Cristina, escritora e consultora, formada em Letras e em Administração de Empresa. Por isso, o livro cobre desde as negociações iniciais para a contratação dos serviços de TI, passando pelo planejamento do trabalho, pelas especificações, testes, suporte técnico,  governança, até as principais situações de conflito, tanto internas, nas  equipes, quanto na relação com o cliente.

“O inglês na Tecnologia da Informação” contém um manual bilíngue, organizado por áreas e tipos de situação, que acompanham todos os estágios do ciclo de vida de um projeto, num total de 384 páginas. Além disso, conta com um glossário que reúne cerca de 8 mil termos-chave.

A certificação Englisoft começou a ser idealizada em 2006 e teve um segundo exame piloto no ano passado, numa parceria que envolveu, além do MCT, a Softex e a Associação Brasileira das Empresas de TI (Brasscom). De acordo com a Cristina, os cursos e as provas devem ser retomados em breve. O exame atesta três níveis de domínio do idioma, com questões que sempre se referem a situações concretas de desenvolvimento e análise de sistemas, segurança de dados, redes e internet.

O conteúdo do livro, explica a autora, foi produzido em grande parte para esse projeto. “Temos vários livros de inglês, segmentados por áreas: hotelaria e turismo, comunicação social, entre outros. E o de TI veio na mesma linha.”

Os erros mais comuns na comunicação em inglês, na opinião de Cristina, são aqueles que nascem da tentativa de “adaptação” de palavras do português, ou que sugerem significados enganosos por se parecerem com termos do nosso próprio idioma. “Por exemplo, ‘elaborate’, que muitos usam no sentido de elaborar, é aplicado mais à ideia de de aprofundar algo. Dar uma cara de palavra inglesa a uma palavra em português não costuma funcionar”, avisa a escritora. Ela tem uma base de dados com os muitos erros registrados em entrevistas. Está lá o engano frequente de traduzir “atual” por “actual”, que significa real e verdadeiro, e não por “current”, como seria correto.

Desencontros idiomáticos
A expressão mais constante de um offshoring de TI costuma ser “specs” (abreviatura de specifications ou especificações), conta o analista de sistemas Antônio Gomes de Castro Júnior, da Ivia, empresa com sede em Fortaleza (CE) e vários clientes internacionais. “Go get the specs (vá pegar as especificações”, diz.

Ele também lembra dos acrônimos que aparecem nos chats e que costumam deixar perdidos profissionais iniciantes: BTW (by the way, ou aliás); BRB (be rigth back, já volto); Asap (as soon as possible, assim que possível); FYI (for your information, para sua informação); IMO (in my opinion, na minha opinião); K (o mesmo que OK).

Outras dificuldades são culturais. O analista lembra que não é adequado dar beijinho ou abraços nos americanos, porque, embora habitual para os brasileiros, esses gestos podem constranger os estrangeiros.

A equipe da Ivia também aprendeu que expressões com função fática (veja bem; olha só, entre outras), que usamos de forma quase automática para chamar a atenção do interlocutor, não devem ser traduzidas.  Os analistas da Ivia costumam dizer “escute” no início da frase. E passaram a conversar assim com os americanos: ‘listen,”.  Até que um dos colegas de trabalho os avisou que, nos Estados Unidos, essa expressão ‘listen’ servia, na verdade, para pedir a crianças que ficassem quietas. Por exemplo, em salas de aula. Nada apropriada ao tratamento entre profissionais.

Além disso, às vezes, o tom de voz pode induzir a equívocos. “Uma vez, eu estava rouco e o arquiteto, do lado de lá da linha, pensou que eu estava chateado, ao me ver sorrindo na câmera do chat, entendeu. Nos processos de offshore, é importante o contato face a face”, avisa Antônio Júnior. Por essa razão, a Ivia é usuária intensiva de recursos de videoconferência e câmeras nos chats.

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