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Empreender na pandemia é uma tarefa ainda mais desafiadora para mulheres

Enquanto programas buscam capacitar as líderes do futuro, as empresárias lutam para manter seus negócios de pé

Por  Déborah Oliveira e Tiago Alcantara

14:10 - 28 de outubro de 2020
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Sob todos os aspectos, o ano de 2020 não tem sido fácil para empreendedores. Para as mulheres, empreender durante a pandemia pode ser ainda mais difícil. Pense no seguinte: quantos meses você ficou sem frequentar restaurantes, salão de beleza e locais semelhantes? Como vamos explicar a seguir, esse tipo de movimento durante o isolamento pode ter prejudicado o futuro de mulheres brilhantes. Mas, essa batalha está longe de chegar ao seu final.

De acordo com a empreendedora e fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME), Ana Fontes, a pandemia afetou diretamente os negócios gerenciados por mulheres. Uma pesquisa realizada pela RME em parceria com Instituto Locomotiva indica que, para 33% dos negócios tocados por mulheres, a pandemia baixou o rendimento mensal do negócio a zero.

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A maior parte dos empreendimentos comandados por mulheres atua, de acordo com a pesquisa, no setor de serviços (61%). Também há participação na indústria (21%), comércio (17%) e agricultura (1%). O estudo tem uma amostra de 1.165 entrevistas em todas as regiões do País.

Impacto social

Esse foco majoritariamente no setor de serviços (moda, beleza, alimentação, dentre outros) faz com que a os negócios comandados por mulheres sejam mais afetados, explica Ana. Além disso, também pode ter prejudicado a transformação digital dos negócios liderados por mulheres.

Isso se reflete de forma negativa na sociedade, de acordo com a fundadora da RME. “O empreendedorismo feminino e as mulheres liderando negócios têm um impacto social maior do que os homens. Isso não é uma competição, mas é simplesmente porque essas mulheres com essa visão mais colaborativa, mais humana e a gestão mais próxima do negócio têm vieses positivos”, explica Ana.

“Quando o negócio delas dá certo, tem um impacto no entorno maior, porque vão trazendo outras mulheres, outras histórias, formando arranjos para que elas consigam crescer e se fortalecer”, afirma ela.  Durante a pandemia, no entanto, as mulheres precisam lidar com um ambiente doméstico que muitas vezes inclui uma jornada dupla. “Isso tem gerado desde problemas de saúde emocional até financeira”, comenta a empreendedora.

Perparar as mulheres para lidarem com os desafios do mundo dos negócios é uma das missões da Rede Mulher Empreenderora. Em 2020, a iniciativa completa dez anos e atingiu uma marca significativa: 100 mil mulheres impactadas por um de seus programas, o “Ela Pode”.

O programa foi inspirado pelo “Women Will”, iniciativa do Cresça com o Google que treina, capacita e inspira mulheres para que elas criem suas próprias oportunidades econômicas. Para aumentar ainda o impacto positivo, o Google.org doou US$ 1 milhão para que o “Ela Pode” ajudasse mais de 135 mil mulheres brasileiras a criarem oportunidades econômicas, tornando-as autônomas e confiantes, além de preparadas profissionalmente por meio de oficinas e capacitações.

Líderes em formação

O Grupo Mulheres do Brasil também busca o desenvolvimento de mulheres no mercado de trabalho, sejam elas empreendedoras ou atuantes em empresas. O objetivo do grupo é unir as palavras mulher e empreender na mesma frase com uma conotação positiva. Criado em 2013 por 40 mulheres de diferentes segmentos com o intuito de engajar a sociedade civil na conquista de melhorias para o País. É comandado pela empresária Luiza Helena Trajano, fundadora do Magazine Luiza e dona de uma fortuna de R$ 24 bilhões.

Atualmente, o grupo soma 76 mil participantes no Brasil e no exterior com a expectativa de chegar a 100 mil até o final do ano. Além do desejo de ser o maior grupo político suprapartidário do País, o Grupo quer fomentar o desenvolvimento de mulheres no mercado.

É justamente nessa esteira que o Grupo Mulheres do Brasil passou a realizar em 2017 mentorias com jovens mulheres negras que almejam a liderança, parte de uma iniciativa do Comitê de Igualdade Racial.

Elizabeth Leite Scheibmayr, advogada que atua no comitê de igualdade racial do grupo Mulheres do Brasil, revelou que o projeto de mentoria tem crescido sobremaneira desde quando começou. “As meninas negras que fazem parte da mentoria integram o Programa Aceleradora de Carreira. Elas passam por um workshop e depois pela mentoria. Na vivência do workshop, identificamos o melhor mentor para essas meninas. Buscamos uma pessoa mais sênior e que tenha alguma afinidade”, explicou ela.

Hoje, são 150 mentores e Elizabeth estima que mais de 400 meninas passaram pelo projeto desde 2017. “Antes da pandemia, a iniciativa era presencial. Vimos que a situação da pandemia ia continuar, então transformamos o programa do presencial para o on-line”, indicou ela.  Para participar e ter mais informações sobre o projeto, basta mandar um e-mail para igualdaderacial@grupomulheredobrasil.org.br.

Confira mais sobre o projeto no vídeo.

Fabiana Batistela é uma das mentoras. Experiente executiva de marketing e recursos humanos, Fabiana mora hoje no Vale do Silício, nos Estados Unidos, onde o Mulheres do Brasil conta com um dos seus cem núcleos, e foi lá que passou a fazer parte do Mulheres do Brasil.

O Grupo é responsável por fazer o match entre mentorando e mentorada com base em interesses e capacidades que serão desenvolvidas. A ideia da mentoria é promover no mínimo três encontros virtuais em um período de um mês e meio. Fabiana explica como funciona os encontros. “Levantei com a mentorada onde ela queria chegar, de que forma busca crescimento e a ajudei a atingir seus objetivos.”

Para ajudar de forma efetiva a mentorada, Fabiana decidiu realizar um encontro semanal, o que fortaleceu os laços entre elas e estabeleceu um desenvolvimento mais rápido e assertivo. “Mostrei para ela que ela reúne muitas competências, mas identifiquei que faltava comunicá-las para a liderança. Mostrei que ela estava, sim, preparada para alçar voos mais altos”, contou Fabiana.

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