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Lean 2.0 muda a cadeia de produção

O conceito de produção enxuta ou ‘lean manufacturing’, que teve origem no Sistema de Produção Toyota (TPS), é uma das estratégias mais conhecidas da indústria, e na década de 80 foi a abordagem padrão de melhores práticas na indústria de todo o mundo. Com o objetivo de reduzir o desperdício e garantir melhorias contínuas, o lean elimina silos de informações e otimiza o fluxo de produtos e serviços na cadeia produtiva, departamentos, processos e equipamentos. E, quando associado a ERPs modernos, resultam em crescimento e novas oportunidades.

Mas, nem sempre foi assim. Quando as empresas começaram a adotar a estratégia de lean a Internet ainda era um bebê, e era inimaginável um local de trabalho com dispositivos móveis, portais para clientes e fornecedores, colaboração em tempo real de qualquer parte do mundo. Os gerentes de TI e de produção lutavam para encontrar o equilíbrio entre grandes sistemas, ERPs eficientes e processos simplificados e minimalistas.

Como os ERPs monolíticos – de estrutura padronizada para todos os segmentos -, na maioria das vezes, não eram compatíveis com práticas de produção, houve tentativa de eliminar a TI do processo, pois era vista como um custo e não benefício. Esta filosofia teve algum mérito na década de 70, quando os ERP’s estavam em seu estágio inicial. No entanto, a velocidade das mudanças do mercado e complexidade de fabricação transformou a tecnologia de opção à obrigação.

Mais tecnologia, menos resistência


Hoje, o setor não é resistente ao uso de tecnologias da informação e comunicação, e isso tem proporcionado melhorias e eficiência operacional – graças aos dispositivos e às aplicações inteligentes, ao Big Data, melhor gestão dos inventários e avanços no chão de fábrica. São inúmeros os benefícios que podemos listar graças ao avanço da ciência nesse campo.

A mobilidade, por exemplo, enriquece a experiência, permite personalizar produtos e melhor atender o cliente. Hoje, os ERPs modernos trazem esse conceito e funcionam como o ‘sistema nervoso central’ da indústria, fazendo a ligação de fluxos de processos, e tornando possível o conceito de lean.

A análise de dados, por outro lado, tornou a produção enxuta mais preditiva, principalmente por causa da entrega de relatórios e análises avançadas, ajudando a indústria a evitar desperdício na compra de matérias-primas e armazenagem de produtos; a prever exigências do mercado, ao invés de apenas monitorar relatórios de tendências e históricos de transações. Os funcionários também têm acesso a indicadores e informações, capacitando-os a agir proativamente e tomar decisões de acordo com às necessidades do negócio.

Associado à tecnologia, o Lean melhora os resultados da produção no chão de fábrica, pois hoje as melhores práticas do setor incluem novas normas de produção, melhorias no padrão de qualidade operacional e na velocidade de produção e serviços de valor agregado.

No inicio, os consultores dos métodos enxutos acreditavam que impressão 3D, sensores inteligentes, e Internet das Coisas (IoT) não passavam de visões futuristas e protótipos em implementações quando os metódos estavam em estágio inicial. Agora, com o “lean 2.0” é possível conciliar inovações tecnológicas com a eficiência dos processos enxutos, a fim de reduzir desperdícios e aumentar a produtividade.

 

(*) Lisandro Scuitto é diretor de produto da Infor para a América Latina.

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