Notícias

Lançamento do Windows 8 deixa muitas dúvidas

O evento de lançamento do Windows 8 na quinta-feira (25) poderia ter sido um sucesso estrondoso.

O local escolhido, Pier 57, em Nova York, é grande e cavernoso. E a ocasião em si veio pré-carregada de importância: a Microsoft estaria revelando publicamente seu sistema operacional mais importante desde o Windows 95. Mas, mesmo assim, o grande dia para a Microsoft brilhar caiu por terra.

Isso não é uma reflexão sobre o Windows 8, a maior atualização de sistema operacional da MS desde 1995. Também não é um referendo sobre o Surface RT, a primeira peça de hardware de computação que a empresa já desenvolveu, fabricou e vendeu por conta própria. Não, a festa de lançamento foi por água abaixo porque a MS compartilhou poucas novas informações sobre o sistema operacional e seu ecossistema arrebatador.

Nós vimos hardware, mas não surpresas. Vimos aplicativos, mas não novos títulos. Nós fomos cheios de expectativas, mas recebemos algo semelhante a um infomercial. Steven Sinofsky, presidente da divisão Windows e Windows Live da Microsoft, abriu o evento de lançamento, positivamente constatando que a nova era Windows estava finalmente sobre nós. As dramáticas mudanças dentro do Win8 – com seus blocos dinâmicos e sensibilidade ao toque – fazem do novo sistema operacional uma experiência de computação muito diferente.

As mudanças são tão dramáticas que, no final do evento, o CEO da Microsoft, Steve Ballmer, disse que “o Windows 8 não deve deixar nenhuma dúvida de que quebramos sua percepção sobre o que é um PC”. Essa é uma afirmação precipitada. Mas o evento de quinta-feira foi curto em se tratando de dados que poderiam adicionar nova perspectiva sobre o que já temos ouvido a respeito do Win8, já que a MS mostrou a pré-visualização para consumidores em fevereiro, no Mobile World Congress.

Desta vez, precisávamos ver mais detalhes sobre como a companhia espera que os consumidores se adaptem às mudanças radicais introduzidas no sistema. Precisávamos ver a evidência de como a companhia planeja educar os consumidores sobre os novos gestos de toque, e, mais importante, o que devemos esperar da nova Windows Store, o único ponto de compra para o os apps do Windows 8.

O evento foi cheio de dados estatísticos satisfatórios embaraçosos, como os de todos os keynotes da Apple. Ouvimos, por exemplo, como mais de metade das empresas têm implantado o Windows 7. Mas não nos foi dada nenhuma visão sobre com qual rapidez a base de negócios planeja adotar o Windows 8.

Tradicionalmente, a transição para adotar um novo sistema operacional da Microsoft nas empresas é lenta. Mas, mesmo assim, dada a mudança radical que o Windows 8 representa, esta é uma pergunta que você acha que a MS quer responder logo.

Durante o evento, Sinofsky enfatizou que “o Win8 foi projetado para funcionar igualmente bem em PCs existentes e novos PCs com toque.” Isso tem sido uma promessa muitas vezes repetida desde que o Windows 8 foi revelado pela primeira vez. Sinofsky pode estar certo, mas, durante a palestra, os programas demonstrativos não foram longe o suficiente para mostrar ao mundo exatamente como toque, mouse e teclado coexistirão pacificamente no mesmo SO.

Julie Microsoft Larson-Green e Michael Angiulo demonstraram a operação do Windows 8, mas a maioria do que foi mostrado pareceu familiar. Na verdade, a informação mais útil recebida no evento não fazia parte de qualquer uma das apresentações: a Microsoft entregou à mídia um guia prático para gestos e atalhos de teclado para a básica navegação no novo sistema operacional. Quer arrastar um aplicativo para a esquerda usando seu teclado? Não há problema: toque a tecla Windows + Shift +, e você terá dois aplicativos na tela, lado-a-lado.

E os aplicativos?

Uma das questões mais críticas que tem sido estado no topo das preocupações com o Windows 8 se trata da loja de aplicativos – e a falta deles. Apps têm sido fundamentais para o sucesso do iPad, da Apple, e eles são a principal razão pela qual o iPad continua a ganhar impulso, enquanto tablets Android recebem amor relativamente pequeno do consumidor.

Então, nós queríamos ouvir uma grande história sobre aplicativos durante a keynote da Microsoft. Queríamos ouvir anúncios sobre parcerias de apps. Quais aplicativos críticos e populares já disponíveis em outros ecossistemas tablet os consumidores poderão baixar no lançamento? E com qual rapidez a seleção irá crescer?

A Microsoft, infelizmente, passou por cima de tudo isso. Na verdade, tudo o que ouvimos foi uma ênfase sobre o número de aplicativos disponíveis. O CEO da MS contou uma história sobre desenvolvedores migrando para o Windows 8, mas não falou uma palavra sobre grandes novos títulos (já sabíamos que o Netflix estava chegando, e o mesmo com o Hulu Plus).

Aplicativos de jogos? Fomos informados de que houve muita atividade entre os desenvolvedores, mas não recebemos detalhes. E isto vindo da Microsoft, a mesma empresa que faz o Xbox.

Talvez mais notícias sobre apps aparecerão na BUILD, evento de desenvolvedores da Microsoft que será realizado em Seattle na semana que vem. Esta notícia seria especialmente relevante para os futuros compradores de tablets com Windows. Sem uma visão mais clara sobre os apps, os consumidores podem estar reticentes em gastar seu dinheiro com o novo sistema operacional da Microsoft.

Recent Posts

SpaceX, Anthropic e OpenAI enfrentam riscos em possíveis IPOs

SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital…

15 horas ago

Sistemas legados: como tomar decisões para garantir resiliência em setores críticos

por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…

18 horas ago

Sem equipes preparadas, IA não entrega transformação

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…

21 horas ago

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

2 dias ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

2 dias ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

2 dias ago