A adoção da inteligência artificial ganhou impulso com a pandemia e isso tem preocupado o executivos. A pesquisa “Prosperando em um mundo de IA”, realizada pela consultoria KPMG, revela que a IA é estratégica para algumas indústrias, contudo metade dos líderes de negócios nos setores de produção industrial (55%), varejo e tecnologia (49% em cada) acredita que a tecnologia está avançando mais rápido do que deveria em seu setor.
As preocupações com a velocidade de adoção da IA são maiores nas pequenas empresas (63%), entre líderes de negócios com alto conhecimento da tecnologia (51%) e líderes de negócios das Gerações Z e Y (51%).
Com o rápido avanço, há um debate relevante em andamento sobre questões de ética, governança e regulamentação. “Muitos desses líderes não conseguem ter uma visão clara do que suas organizações estão fazendo para controlar e governar a IA e temem que os riscos estejam aumentando”, analisou Frank Meylan, sócio-líder de tecnologia, transformação digital e inovação da KPMG no Brasil e na América do Sul.
Segundo os entrevistados, a IA detém uma importância moderadamente funcional principalmente nas organizações de produção industrial (93%), serviços financeiros (84%), tecnologia (83%), varejo (81%), ciências da vida (77%), saúde (67%) e governo (61%). Outros setores também observaram aumento significativo em relação ao ano passado. É o caso de serviços financeiros (37%), varejo (29%) e tecnologia (20%).
Apesar das preocupações com a velocidade de adoção, os executivos estão confiantes quanto ao potencial da IA para o enfrentamento de desafios críticos, como o rastreamento da Covid-19 e as vacinas. A maioria dos líderes de negócios de pequenas (88%) e grandes (80%) empresas revelam que a tecnologia ajudou sua empresa durante o surto da Covid-19.
Já os executivos de ciências da vida e saúde estão extremamente confiantes quanto à capacidade da AI monitorar a disseminação de casos de Covid-19 (94% e 91%), ajudar no desenvolvimento de vacinas (90% e 94%) e na distribuição (90% e 88%), respectivamente.
De acordo com Ricardo Santana, sócio-líder de data e analytics da KPMG no Brasil, a regulamentação da inteligência artificial vem ganhando apoio em todos os setores analisados. “Como a tecnologia avança muito rapidamente, um ambiente regulatório mais robusto pode ajudar a facilitar o comércio. Ele também pode ajudar a eliminar barreiras não intencionais, oriundas de outras leis e regulamentos, decorrentes da falta de maturidade das normas legais e técnicas”.
Para o levantamento, a KPMG entrevistou 950 tomadores de decisão de negócios e tomadores de decisão de tecnologia da informação com conhecimento moderado da IA. Os executivos pertencem a empresas com receita superior a US$ 1 bilhão dos setores de tecnologia, serviços financeiros, produção industrial, saúde, ciências da vida, varejo e governo. Os entrevistados de saúde e ciências da vida são de empresas com receita superior a US$ 100 milhões.
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