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ITIL e os 3 (4) Mosqueteiros

Muitos leitores podem estar intrigados com o título e essa associação com os 3 Mosqueteiros, que na verdade eram quatro. Mas tem muito a ver. E a chave da associação é a “INTERDEPENDÊNCIA”. Sim, a interdependência entre diversos conjuntos de processos ITIL.

Apenas a título de ilustração… Quando o nosso charmoso e atlético ITIL se encontrava na crista da onda, surfando pelas praias de Waimea e Pipeline no Hawaii, surgiu uma questão (desafio?) que foi muito debatida, batida, rebatida e repetida: “ITIL, como comer um elefante?”. Compreensível esta questão, até por conta dos muitos conjuntos de Processos ou Boas Práticas.  

E logo diversos autores defenderam que deveríamos – as empresas – escolher apenas as partes que interessassem, que propiciassem ganhos (os famosos Quick Wins, talvez…) e/ou que mitigassem dores mais imediatas.

Essa postura já deixava claro, desde o início, que tanto na versão 2, com seus 10 processos ou conjuntos de Boas Práticas, como na versão 3, com seus 26 processos ou conjuntos de Boas Práticas, não teríamos, não deveríamos, e era “strongly recommended” que não escolhêssemos todos eles.

E, ufa…, que alívio. A maioria das empresas que começou ou que adotou (ou adota) as Boas Práticas da Biblioteca ITIL assim procedeu.

E chegamos finalmente aos “Os 3 Mosqueteiros” – que na verdade eram quatro: Athos, Aramis, Porthos e D’Artagnan – do nosso inesquecível Alexandre Dumas.

Se transportarmos essa idéia (dos 3 ou 4) para o mundo real de muitas empresas e organizações diante de suas dores, desconfortos e desafios, e em busca de implantar alguns dos Processos ITIL, estaremos seguramente selecionando ou escalando, na maioria das vezes, um “pequeno time” composto por: (1) Gerenciamento de Incidentes, (2) de Problemas, (3) de Mudanças, e (4) de Configuração, ou (4) de Nível de Serviço. E, pronto… temos uma das provas incontestáveis de um dos conjuntos de INTERDEPENDÊNCIAS de nosso querido ITIL, e das quais não temos muito como nos livrar, ou que ignorar.

Apenas um dos “medicamentos”, por si só, não estaria surtindo todo aquele efeito desejado e anunciado em sua “bula”.
Interdependência… pois é… ela existe sim.
Mas atenção, hipocondríacos tecnológicos de plantão! Recomenda-se analisar com carinho, com cuidado, com olhos de ver, o cenário das nossas empresas e onde efetivamente estão as nossas dores e nos limitarmos a direcionar nossos esforços nesta direção.
E, nunca é demais lembrar que uma autoavaliação do Grau de Maturidade de nossa empresa precisa ser feita. Esta Maturidade PRECISA ser levada em consideração, para que não tentemos colocar a mão onde não conseguimos ou não podemos alcançar, e para que não venhamos a gerar uma expectativa muito alta ou além daquilo que o “medicamento” efetivamente é capaz de proporcionar em nosso caso.
Ah! E, por favor, a administração do tal do “ITIL de A a Zinco” fica terminantemente proibida.
O Ministério da Saúde adverte: “Todo manual de ITIL deve ser mantido longe do alcance das crianças”.
(*) Rui Natal é sócio diretor da TECGP Informática

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