As operadoras de telefonia móvel brasileiras devem ir na contra mão da estratégia da Apple para o iPhone. Enquanto Steve Jobs baixa o preço do aparelho para massificar seu uso, as telcos nacionais devem buscar os usuários de alto valor.
Segundo Alex Zago, analista de telecomunicações da consultoria IDC, as mudanças nas regras da telefonia celular, promovidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) recentemente, juntamente com a chegada da portabilidade numérica, impedem que as empresas subsidiem os aparelhos com maior agressividade.
“Nenhuma operadora tem condições de assumir esse prejuízo”, determina o analista. Em outros mercados, como o americano, para baixar o preço do iPhone as operadoras estão fazendo contratos longos, que passam de dois anos. Isso garante o retorno do investimento feito.
No Brasil, entretanto, a legislação impede a assinatura de contratos de fidelidade superiores a um ano. Ou seja, para oferecer descontos na compra, Claro, TIM e Vivo teriam de assumir o risco de antes de terem o retorno desejado em serviços verem os clientes migrarem para a concorrência. O problema será ainda maior com a chegada da portabilidade numérica em 2009.
Zago também destacou que um dos maiores desafios das operadoras de telecomunicações com a chegada do 3G é aumentar o consumo. “Principalmente nos países em desenvolvimentos, as operadoras não conseguiram aumentar a parcela destinada pelos consumidores aos serviços de comunicações móveis”, afirma o analista.
Nesse sentido, as empresas devem ou criar uma nova demanda, ou buscar parte dos gastos feitos atualmente com outros serviços de telecomunicações. No Brasil, a maior oportunidade está na banda larga, juntamente com a oferta de conteúdo, como TV paga.
De acordo com estudo feito pela IDC, o mercado brasileiro de telecomunicações deve crescer 6% ao ano até 2012. No último trimestre do ano passado, a banda larga móvel representava 8,9% dos acessos no País.
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