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Internet via rede elétrica e petróleo

A tecnologia PLC

O ITA é uma organização civil, sem fins lucrativos estabelecida em Belo Horizonte destinada a apoiar e promover atividades científicas e culturais. Dentre as primeiras, tem dado especial atenção ao desenvolvimento de estudos, pesquisas e projetos no campos das telecomunicações e no gerenciamento de energia.

O seminário ITA PLC 2010 representou a fusão destes esforços.

PLC é a sigla em inglês de “Power Line Communications” (comunicações via rede elétrica). Mas que diabos vem a ser isso? Se você é chegado a termos técnicos empolados, eu poderia responder que PLC é um sistema de transferência de informações e dados baseado em OFDM que usa como meio de transporte o cabeamento da rede elétrica pública e privada. E acrescentaria que OFDM é o acrônimo, em inglês, de “Orthogonal Frequency Division Multiplexing”, ou multiplexação ortogonal por divisão de frequência, uma técnica que permite transmitir diferentes sinais (como, por exemplo, diferentes programas de TV ou o conteúdo de diferentes sítios da Internet ou ainda diversas conversações telefônicas) simultaneamente, cada um deles usando sua própria frequência (ou “canal”) sobre uma mesma onda portadora. E poderia ainda dizer que  se você estiver interessado em saber mais detalhes sobre a tecnologia OFDM, poderá consultar o trabalho de Pugel e Litwin, “The Principles of OFDM“, escondido em um sítio russo sobre processamento de sinais digitais, o AV-Soft (mas não se preocupe que há uma versão do sítio toda em inglês).

Mas esta é a explicação para quem gosta de termos técnicos empolados. Para quem não gosta, PLC é apenas uma técnica de transportar sinais (seja lá do que forem, incluindo telefone, rádio, televisão e, naturalmente, Internet) usando a rede elétrica pública ou privada. Esta mesma que você tem em casa para acender lâmpadas, ligar a TV e o micro-ondas.

Não entendeu? É que o conceito é ao mesmo tempo tão simples e tão revolucionário que fica difícil acreditar que seja de fato possível. Explicando melhor, recorrendo à Figura 5 e usando como exemplo o que mais nos interessa, a Internet: se a rede elétrica de sua casa, ou de seu prédio de apartamentos, estiverem adaptadas para o uso da tecnologia PLC, basta ligar seu modem (que, tecnicamente, não seria um modem, mas um “acoplador PLC”) na tomada de eletricidade que ele receberá, pelos mesmos condutores, tanto a alimentação elétrica quando o sinal da Internet e transferirá ambos ao computador.

É claro que determinadas condições devem ser cumpridas. Primeiro, um provedor de Internet deve aplicar o sinal à rede através de um injetor, também conhecido por “conversor”, ou “Bridge“, que não aparece na figura 5 porque a injeção do sinal geralmente é feita em uma subestação distribuidora. Daí o sinal trafega pela rede pública usando os mesmos condutores que transportam a eletricidade (e apelando para um alvitre interessante para “atravessar” os transformadores sem atenuação ou distorção), passa quando necessário por dispositivos denominados “repetidores” que recuperam as perdas ao longo do trajeto e chegam a um “extrator”, que o envia às residências juntamente com a alimentação de energia.

No interior das casas o sinal continua percorrendo a rede elétrica. Para recebê-lo em seu computador basta tomar o cuidado de não ligar o micro diretamente à tomada, mas fazê-lo através de um acoplador PLC, que acaba sendo chamado de modem porque transporta o sinal da Internet. Este dispositivo, além de fornecer o sinal, alimenta os circuitos elétricos do computador.

Quer dizer: adeus aos cabos, linhas telefônicas e sistemas de transmissão de sinais sem fio de alcance limitado: seu sinal de Internet (ou de telefone, ou TV de alta definição, enfim, seja do que for) fluirá pela própria rede que transporta eletricidade. A rede existente, a mesma que está em sua casa, nas ruas, nas grandes linhas de transmissão que cortam o país e nas pequenas redes de eletrificação rural. Não será preciso acrescentar um mísero metro de condutor elétrico.

Resultado: quem tem eletricidade em casa poderá desfrutar sua Internet via PLC.

Note que não é preciso instalar novas redes elétricas, apenas incorporar alguns dispositivos à existente, seja pública ou privada. E note, também, que não falamos de conexões do tipo “devagar-quase-parando”: a tecnologia que está sendo desenvolvida pelo ITA e por algumas empresas chinesas (representadas no evento) já alcança taxas de transmissão (ou “banda”, para os que gostam de más traduções ao pé da letra do inglês) de 224 Mb/s (megabits por segundo) e as pesquisas para chegar aos 400 Mb/s estão em pleno desenvolvimento.

Participei do evento como moderador de um dos painéis, mas na verdade fui até lá para aprender. E aprendi um bocado. Não só sobre PLC mas, sobretudo, com o estágio de desenvolvimento das pesquisas aqui no Brasil, para ser preciso logo ali em BH. A turma do ITA-BH está fazendo bonito.

B. Piropo

PS – A quem interessar possa: forçado pelas circunstâncias (ver coluna da Elis), aderi de vez ao Twitter. Quem quiser me “seguir”, favor acrescentar @bpiropo. E seja o que Deus quiser…

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