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Internet das coisas avança e coloca privacidade em jogo. O que fazer?

À medida que a internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) avança, consumidores devem exigir melhores requisitos de segurança e privacidade, eliminando vulnerabilidades em relação à vigilância e violações de dados corporativos. Essa é a opinião de Christine Bannan, estudante de direito da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos. “Mas antes que os consumidores exijam a mudança, eles devem ser informados sobre elas, o que obriga que as empresas sejam mais transparentes”, afirma em artigo escrito ao portal TechCrunch.

Segundo ele, a parte mais perigosa da internet das coisas é que os consumidores estão se rendendo no quesito privacidade, pouco a pouco, sem perceber, porque não têm conhecimento de que os dados estão sendo coletadas e como são usados.

Lembra da televisão da Samsung que televisão podia gravar conversas próximas e transmitir diálogos a terceiros? Ninguém sabia até então. Logo depois, a Samsung editou sua política de privacidade e esclareceu práticas de coleta de dados da TV inteligente.

Bannan alerta que a maioria das pessoas não lê as políticas de privacidade de cada dispositivo que compram ou de todos os aplicativos que baixam. Quando o fazem, a maioria das políticas está escrita em linguagem jurídica ininteligível para o consumidor médio. “Esses mesmos dispositivos também normalmente vêm com os termos da mesma forma ininteligíveis de uso, que incluem cláusulas de arbitragem obrigatória forçando pessoas s a desistir do direito de ser ouvido no tribunal se forem prejudicados pelo produto. Como resultado, a privacidade dos consumidores pode ser comprometida, e eles são deixados sem qualquer alternativa”, observa.

Nesse contexto, na opinião de Bannan, faz-se necessário que empresas aprimorem a transparência. “Essa será base de qualquer solução bem-sucedida para maior privacidade na era da internet das coisas”, comenta. Essa transparência pode ser realizada tanto pela indústria de autorregulação ou regulamentação governamental que obriga empresas a receber o consentimento do consumidor antes da coleta de dados.

Indústrias vão responder caso clientes exijam mais privacidade. Por exemplo, após pesquisas revelaram que consumidores estão preocupados com a privacidade de dados e segurança de carros conectados, a Aliança de Fabricantes de Automóveis (associação comercial de 12 fabricantes de automóveis nos Estados Unidos) responderam desenvolvendo princípios de privacidade que eles concordaram em seguir.

Algumas empresas, como a Fitbit, incorporaram privacidade em sua tecnologia. O benefício da indústria de autorregulação é que cada uma pode criar normas específicas para as necessidades de seus clientes e a sensibilidade dos dados que coletam, esclarece o estudante.

Como essa é uma questão complexa, afirma Bannan, envolvendo inúmeras indústrias e implicando em várias preocupações com privacidade, uma solução adequada exigirá a participação de consumidores, empresas e governo. Consumidores devem exigir saber quais dados são coletados e como são usados. Indústrias, por sua vez, devem desenvolver melhores práticas de privacidade que correspondam às expectativas de seus clientes.

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