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Internautas têm festa de conexão

Os internautas fanáticos vão ter acesso à segunda edição da Campus Party em São Paulo, um encontro de comunidades de internet que se realiza de 19 a 25 deste mês, no Centro de Exposições Imigrantes, zona sul da capital. A Telefônica repete o trabalho de dar conectividade à festa, como no ano passado, mas desta vez duplicou para 10 GB a velocidade da conexão.

Trata-se da maior banda já disponibilizada no planeta, segundo a operadora, e tem capacidade suficiente para baixar 9 milhões de livros da Biblioteca Nacional em menos de dois minutos.

É uma velocidade difícil de imaginar entre leigos, mas a Telefônica já fornece volumes desse calibre a portais como o Terra e outros, e reconhece que links desse porte já estão em uso corriqueiro no Japão, onde clientes residenciais trafegam normalmente em 60 ou 100 Mbps.

No Brasil, mais especificamente em São Paulo, a velocidade de 1 Mbps é uma das mais disseminadas para o público que tem banda larga em casa. Os 10 GB que estarão disponíveis na festa equivalem a 10 mil vezes essa velocidade.

“No ano passado, colocamos 5 GB na Campus Party e detectamos picos de uso de 3,5 GB a 4 GB. Como a demanda por conexão cresce muito depressa, resolvemos duplicar”, afirmou o diretor de planejamento e engenharia da Telefônica, Ari Falarini.

O investimento na construção dessa infra-estrutura é de R$ 5 milhões e a Telefônica mantém-se como provedora das festas dessa natureza iniciadas em 1997 na Espanha e replicadas na América Latina, no Brasil e na Venezuela.

São Paulo atrai

A idéia inicial era de fazer o evento itinerante. Mas o Brasil ganhou a preferência na segunda edição porque se destaca como o maior usuário de internet, com 22h47 mensais de conexão por indivíduo. Aparece como segundo colocado nas redes sociais Orkut, MSN e 2nd Life, estando entre os três maiores no Yahoo, MySpace e You Tube, sem contar o contingente de usuários de telefone celular, que ultrapassa os 140 milhões.

Consumidor diferenciado

“Nosso objetivo é fomentar o uso da tecnologia e conhecer melhor os desejos do consumidor”, disse Falarini sobre o investimento na Campus Party. O retorno não é imediato, mas faz muito sentido para uma operadora de telecomunicações no médio e longo prazos.

O participante de um evento como esse é um consumidor diferenciado, usuário intensivo, fanático, daqueles que dependem intensamente da internet, e por isso mesmo proporcionam um retorno valioso para a Telefônica, que os estuda para poder atender aos clientes comuns com maior previsibilidade. São esperados 6 mil participantes desses – o dobro do ano passado -, sendo 4 mil com computador e 2 mil sem. Eles ficam acampados na Campus Party nos sete dias, com apoio logístico dos organizadores.

Mas a feira também é atração para visitantes menos aficcionados, e se esperam 300 mil deles nas áreas abertas contra os 92 mil do ano passado. Na web haverá, segundo expectativas dos organizadores, 2 milhões de visitantes.

A infraestrutura é composta de 100 km de rede lógica, 10 km de fibra óptica e 200 km de rede elétrica.

Conteúdos

As atividades da festa passam por várias áreas de interesse e incluem debates, palestras, workshops e competições em 12 divisões temáticas: vídeo, design e fotografia, músicas, astronomia, blog, desenvolvimento, games, robótica, simulação e software livre. Existe também uma área para discussões livres sobre assuntos que qualquer um pode propor.

A área de robótica vai ter uma experiência inédita: vai construir durante o evento um robô do tamanho de um ser humano totalmente composto por tecnologias livres de software. O projeto ficará disponível para download, a fim de que o projeto possa ser criticado, discutido, dissecado e modificado pelos campuseiros.

O diretor da Campus Party Brasil, Marcelo Branco, disse ter sonhos ambiciosos de que o evento poderá ter a experiência inédita de utilizar um padrão de código aberto na robótica.

A feira vai dar uma oportunidade também para quem nunca viu um computador, com a seção “Batismo Digital 2.0”, que mostrará a utilidade da rede na vida pessoal e profissional.

Há outras atrações, entre as quais um encontro nacional de lan houses, sobre sua importância na inclusão digital, e um evento de “computação distribuída”, no qual os campuseiros emprestam seu poder de computação para uma causa coletiva, durante a festa. Além disso, está prevista a elaboração de um observatório astronômico coletivo a partir da internet.

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