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Inteligência Artificial da Amazon agora detecta expressões de medo

Nesta segunda-feira (19), a Amazon anunciou novos avanços em seu sistema de inteligência artificial (IA). De acordo com informações da Wired, agora os algoritmos da gigante de Jeff Bezos são capazes de identificar expressão de medo no rosto das pessoas.

A novidade faz parte do programa de reconhecimento facial da Amazon, o Rekognition, serviço de análise de imagens destinados a clientes como os departamentos de polícia norte-americanos. Até o momento, o sistema era capaz de avaliar expressões faciais de sete categorias: feliz, triste, irritado, surpreso, desgostoso, calmo e confuso.

Segundo a reportagem da Wired, a companhia se recusou a detalhar como os clientes estão utilizando o reconhecimento de emoções. A documentação do Rekognition alerta que o serviço “não é uma determinação do estado emocional interno da pessoa e não deve ser usado dessa maneira”, mas no site do laboratório é sugerido que o sistema poderia, por exemplo, alimentar imagens ao vivo de compradores em lojas para rastrear tendências emocionais e demográficas no varejo.

Apesar da Amazon, Google e Microsoft estarem apostando no mercado de detecção de emoções, psicólogos afirmam que a prática é equivocada. Um estudo publicado em fevereiro por pesquisadores da UC Berkeley descobriu que, para uma pessoa ler com precisão as emoções de outra em um vídeo, é preciso prestar atenção não apenas ao rosto, mas também à linguagem corporal e ao ambiente. O software oferecido pelas empresas de tecnologia geralmente analisa cada rosto isoladamente.

Rumman Chowdhury, que lidera o trabalho de inteligência artificial na Accenture, diz que a situação é resultado de uma indústria que não reflete sobre as limitações de sua tecnologia. Mesmo que o software seja capaz de ler os rostos com precisão, a ideia de reduzir a riqueza do sentimento humano em algumas categorias não faz muito sentido, afirma a executiva.

Em julho, a Oxygen Forensics, responsável pela comercialização de softwares que o FBI e outras autoridades usam para extrair dados de smartphones, acrescentou reconhecimento facial e detecção de emoções ao seu serviço. Lee Reiber, diretor de operações da companhia, declara que os recursos foram adicionados para ajudar os pesquisadores a classificar as milhares de imagens que aparecem durante a coleta de evidências digitais. Agora, os oficiais podem procurar por um rosto específico ou agrupar imagens da mesma pessoa. Eles também podem filtrar rostos por raça ou faixa etária, e emoções como “alegria” e “raiva”.

Apesar do número de programas de detecção de emoções estar crescendo, muitos especialistas acreditam que o mercado é limitado. Para eles, os esforços não valem a pena, já que nem sempre a expressão das pessoas demonstra seus reais sentimentos.

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