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Intel aposta em tablet Android para educação

Depois de investir forte em projetos com o classmate (netbook com design e aplicações totalmente voltados para o segmento educativo), a Intel voltou seus esforços para a criação de um modelo de tablet com sistema Android que pudesse contribuir para o sistema de ensino, especialmente para educação de crianças com até sete anos. Com dez polegadas, o dispositivo vem com acessórios como sensor de temperatura e até uma lupa que, acoplada à câmera traseira e por meio de uma aplicação já instalada no device, converte o dispositivo em um microscópio.

Batizado de Intel Education Tablet, o produto reflete o desafio de transformar o sistema de ensino e de converter aulas estáticas ou pouco atrativas em sessões interativas, que estimulem o trabalho em grupo, a colaboração e a comunicação entre os alunos. Pode até parecer irônica tal empreitada, uma vez que a tecnologia, de maneira geral, tende a tornar o ser humano individualista e menos sociável – basta observar rodas de amigos em bares, escolas e restaurantes, onde a maioria está com os olhos voltados aos celulares e sua centenas de aplicativos. Mas, quando bem utilizado e dentro de um projeto educacional com currículo adaptado, um dispositivo tecnológico pode resgatar esse processo colaborativo já intrínseco às pessoas.

“A transformação passa por elevar a qualidade do sistema para o sucesso do aluno. Além de preparar esses alunos para as novas habilidades necessárias nessa sociedade digital, com fluência no uso da tecnologia para busca da criatividade e atender aos desafios do novo mercado de trabalho”, comentou Ed Paoletti, diretor de educação da Intel Brasil, que apresentou o tablet para jornalistas durante o Intel Press Summit, em Florianópolis (SC).

A fabricante tem feito um trabalho intenso junto a governos e organismos como a Unesco para aprimorar metodologia de avanço da educação, tendo a tecnologia como suporte. O executivo lembra que o currículo escolar não deixa de ser importante nesse processo, mas que é preciso entender melhor quais conteúdos são realmente importantes e o que os alunos podem extrair de tudo isso. “E aí entra o ensino personalizado, cada um aprende de forma diferente, alguns têm mais facilidade com vídeos, outros gráficos e animações, outros leitura. E a tecnologia ajuda nesse processo.”

Michele Bettine, do Instituto Crescer e consultora da Intel para formação de professores, frisou que a resistência dos professores ao uso desse tipo de dispositivo em aula tem diminuído, alertando, assim, para a necessidade de um processo de formação contínua do docente para que não haja uma defasagem tecnológica tão grande entre o que o mundo tem a oferecer e o que a escola tem de ferramental. Ela explicou ainda que o tablet tem sido focado na educação infantil pela possibilidade de atividades lúdicas e em grupo, propiciada, entre outras coisas, pela tela multitoque. Já para crianças a partir de oito anos e adolescentes, o foco segue o trabalho que já vem sendo feito com o classmate, até pelo teclado físico facilitar a produção de conteúdo.

Na última década, a Intel já investiu mais de US$ 1 bilhão na pesquisa e produção de ferramentas para educação. Apenas no Brasil, mais de 300 mil professores foram capacitados pelo programa Intel Educar. No País, os projetos mais recentes encabeçados pela fabricante estão a implantação de classmate na educação básica da Província de São Pedro, no Rio Grande do Sul, onde criou-se uma escola modelo para servir de referência para outras localidades no estado gaúcho, e a venda de 156 mil dispositivos para o governo do Estado de Pernambuco.

*O jornalista viajou a Florianópolis a convite da Intel

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