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Integração e infraestrutura de rede emperram e-gov

Integrar aplicações e objetivos de diversas esferas e departamentos governamentais é um dos empecilhos que emperra o avanço das iniciativas governo eletrônico (batizado por muitos de e-gov), movimento que prevê prestação de diversos serviços aos cidadãos através da internet. “A parte que aparece é a ponta do iceberg. Para prestar serviços de qualidade é preciso fazer muita coisa em baixo, com integração de sistemas”, analisa Rogério Santanna, secretário do Ministério do Planejamento.

A discussão veio à tona durante um dos painéis que encerram o segundo dia da Futurecom 2009, edição intensamente pautada pelo tema “banda larga”, apontada como outro gargalo. “O governo está fazendo a parte dele, levando serviços à internet”, disse Roberto Agune, representante do governo do Estado de São Paulo. Mas unir sistemas, departamentos, esferas públicas e objetivos tão distintos não é algo fácil quando o assunto é política. “Não consigo conceber estratégia de atendimento ao cidadão fragmentada”, comenta João Francisco, da CPM Braxis. “Governo eletrônico é uma reinvenção do governo”, aponta Florencia Ferrer, da E-stratégia Pública.

Na avaliação de Renato Guerreiro, ex-presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Brasil sofre uma carência grande de serviços oferecidos pelo Estado por meio da web. “Precisamos ter em mente que o Governo precisa tender ao cidadão. Se não tivermos banda larga, vamos com o que tivermos. Banda larga não é desculpa”, disse, afirmando que a importância dada a esse ponto é desmedida.

Juarez Quadros, ex-ministro das comunicações, concorda com a opinião de Guerreiro. “Com uma banda bem estreita, muitas soluções são possíveis”, comenta. O executivo entende que não falta infraestutura e contextualiza: “mais de 50% dos municípios brasileiros já detém condições de acesso a banda larga”. A questão, nesse ponto, seria o custo do serviço.

Dono de opiniões que geram polêmica na indústria, o debate esquenta quando Santanna adiciona a equação o fato de que o problema se agrava quando se leva em conta a interiorização dos serviços. O executivo, por exemplo, é defensor da proposta de criação de uma rede pública para impulsionar penetração da banda larga e acirrar a concorrência.

Augusto César Gadelha Vieira, representante do Ministério da Ciência e Tecnologia, menciona que a banda larga pode ser encarada como um mecanismo passível de gerar desenvolvimento de países. “Sem dúvida, O Brasil está muito aquém de prestar serviços dentro das necessidades”, avalia, dizendo que o acesso a internet rápida aos brasileiros cobra tarifas exageradas.

Leia mais:

Confira cobertura completa da Futurecom 2009.

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