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Inovação é uma cultura, não um processo

Inteligência criativa é, de fato, um diferencial competitivo. É por isso que muitas empresas já entenderam que inovação é vital para os negócios. Por outro lado, a maioria delas não conseguiu desvincular o tema como parte de um processo e posicioná-lo como integrante da cultura corporativa.

Inovação é ‘top down’ e tem de ser inserida na cultura da empresa, estar no DNA”, opinou Luis Cassinelli, diretor de Inovação Corporativa da Braskem, durante o ‘Globant Innovation Leaders’, evento que reuniu hoje (4/3) líderes de negócios em São Paulo. Na opinião do executivo, o tema deve fazer parte do discurso do presidente à recepcionista e somente assim ganhará destaque na estratégia empresarial.

Cassinelli contou que a história de inovação da Braskem teve início em 2002, impulsionada pela necessidade de gerar mais tecnologias em solo nacional. A empresa, que atua nos segmentos químico e petroquímico, tem 36 unidades industriais no mundo, 8 mil funcionários e clientes em 70 países, e, hoje, mantém uma equipe de 105 mestres e doutores que ao lado de um time pensa em inovação o tempo todo.

Ao todo, são mais de 300 pessoas dedicadas à tarefa. Esse time gerou 851 patentes, sendo que 15% das vendas geradas são de produtos criados pela área de inovação nos últimos três anos nos 23 laboratórios da empresa em todo o mundo. Atualmente, a Braskem avalia mais de 260 projetos de inovação que somam US$ 2,5 bilhões.

Não à toa que toda essa movimentação rendeu à companhia participação no ranking das 50 empresas mais inovadoras de 2014 da revista Fast Company. A empresa, que ocupa o 41º lugar, é a única brasileira a entrar na lista e ganhou destaque pelo trabalho de pesquisa em produtos de origem renovável, como o Plástico Verde. Para se ter uma ideia, a listagem traz ícones como Google, Nike, Netflix e Airbnb.

O segredo da inovação na Braskem, além do apoio da alta direção, é incentivar ideias e usar a inovação aberta. “Trabalhamos muito com ‘open innovation’, em linha com universidades, pesquisadores e parceiros”, conta.

Ele relata que a empresa organiza sessões de criação com clientes e universidades, por exemplo, e que constantemente o grupo de doutores traduz as necessidades do mercado para aplicar em inovações para os negócios.

Todas as ideias são submetidas e categorizadas em um software feito sob medida para a Braskem. “Antes, o processo era descentralizado e vivíamos reinventando a roda”, lembra, assinalando que além de ter um local com todas as sugestões, o processo agilizou a concretização de inovações.

Colaboração
Mauricio Benedetti, PhD e professor e assessor de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Universidade Presbiteriana Mackenzie, indica que o melhor caminho é a inovação aberta. “Não há como ter na empresa todo o conhecimento necessário para a inovação. É uma utopia”, sentencia.

Ele relata que o modelo fechado é difícil de ser mantido em razão dos altos investimentos em equipamento, pesquisa e pessoal. Além disso, o ritmo do mercado demanda aceleração do processo, algo difícil de acontecer sem a inovação aberta

A inovação aberta, no entanto, é um desafio no Brasil, reconhece o professor. E talvez por isso hoje o País ocupe a 57ª posição, entre 114 economias avaliadas, no ranking mundial de competitividade, o ‘Global Competitiveness Report 2014-2015’. A lista está diretamente relacionada à inovação.

Benedetti explica que o modelo é pouco usado em razão da dificuldade que o mercado encontra de abrir suas tecnologias. “Empresas têm resistências. Elas temem que alguém se aproprie da tecnologia de forma indevida”, comenta. Além disso, completa, academia e empresa têm objetivos diferentes quando o assunto é inovação. “O acadêmico quer publicar e o empresário quer proteger com patente”, pontua.

Cultura, não processo
Durante o evento, todos concordaram que a inovação deve ser parte da cultura da empresa. Mas, afinal, como desenvolvê-la? Martín Migoya, CEO e cofundador da Globant, ensina: “Ela deve ser ubíqua e estar em todos os lugares”. Ele vai além e diz que o tema tem de inclusive partir do Presidente da República e daí para baixo. “Gostaria muito de ver um presidente inovador”, diz.

Migoya conta que na Globant, empresa focada na entrega de soluções inovadoras de software com base em tecnologias e tendências emergentes, a inovação está em todos os lugares e todos os 3 mil funcionários são incentivados e contribuir com ideias. Exemplo recente foi a colaboração para a criação de um modelo de tênis para um de seus clientes.

Essas e outras ações levaram a empresa também para a lista das mais inovam na América Latina pela revista Fast Company. “Não há segrego. Repense sua organização para o futuro e transforme sua cultura por meio da inovação. Inovação para nós e muitas empresas do mundo é uma necessidade urgente”, finaliza.

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