Inovação deve ir além das tecnologias

Tornar um negócio inovador vai além do uso de tecnologias. Claro, elas são importantes meios, mas o que realmente trará inovações para dentro das organizações são ações e estratégias para mudar o futuro. Essa foi uma das discussões promovidas durante o Ciab Febraban, principal evento do setor financeiro, realizado nesta semana em São Paulo (SP).

Na emissora de cartões Elo, a base para implementar inovações já foi definida: os consumidores. Luis Cassio Oliveira, diretor de comunicação e marketing da companhia, afirmou que inovação focada nos consumidores não é apenas entregar um dispositivo, mas sim dar liberdade de escolha e independência para o cliente escolher o que é bom para ele.

“É isso que estamos tentando descobrir através do próprio consumidor. Esse elo de ligação com o mercado é importantíssimo para que possamos de fato estruturar uma inovação para o mercado. Sempre para o consumidor e não para a empresa”, afirmou Oliveira.

O executivo comenta que a área de desenvolvimento muitas vezes se vê em uma espécie de encruzilhada. Ou seja, alguma solução é identificada mostrando potencial para o consumidor, mas não para o negócio. “Vou ter de abrir mão disso para chegar ao final da inovação e benefício ao cliente? A conclusão é sim, seja o custo que for.”

Um dos exemplos desse cenário foi identificado a partir de pesquisas etnográficas realizadas pela Elo para orientar como a companhia deve trabalhar com diversos públicos e diferentes ambientes que existem dentro do próprio País. “Um cliente disse que não queria pagar anuidade do cartão. Com uma base de 125 milhões de cartões, como você sustenta o negócio sem cobrar anuidade? Temos que dar um jeito, mas tenho que transformar e inovar além da tecnologia para atender esse pedido. Essa é uma informação para definir qual caminho é melhor”, explicou o executivo, citando o Nubank como exemplo e garantindo que é um modelo de serviço que a Elo está buscando viabilizar.

“A tecnologia precisa ajudar a entender as pessoas. Acreditamos que independentemente da tecnologia que virá, ela precisa estar focada nessa análise e nesse resultado para que possamos entregar para o consumidor exatamente o que ele pretende receber, seus desejos e necessidades”, finalizou.

Inovações dentro de casa
De olho na restruturação do modelo de negócios, a Visa criou uma unidade de inovação que tem como objetivo expandir o pensamento da empresa para além das soluções tecnológicas. O foco é entender qual a melhor forma de projetar novas soluções para pessoas e com foco na experiencia de uso.

“É um mercado enorme e o desafio é como consegue ganhar velocidade. Como transformar a Visa em uma organização exponencial para acompanhar as empresas que nasceram nesses últimos 20 anos no mundo digital? Como ganhar velocidade para acompanhar mudanças?”, questionou Érico Fileno, diretor de inovação da empresa.

O executivo explica que, para acelerar a mudança da Visa, a companhia adotou o conceito de inovação aberta. “Entendemos que as soluções não virão somente de dentro da Visa. Precisamos sair da nossa baia, cair no mundo, observar, olhar, montar parcerias, sentar com concorrentes e discutir para onde o cenário está indo.”

A estratégia aberta da companhia é sustentada em cinco pilares: plataforma para desenvolvimento de produtos e serviços; competições e estímulos (como hackathons e programas de aceleração); desenvolvimento colaborativo (co-creation com clientes); inovação em rede (como parcerias com Google, Facebook e IBM); além de transformação digital (como o programa interno GetDigital, que busca realizar mudança cultural dos trabalhadores de como se portar de forma mais veloz e humana).

Em resumo, Fileno diz que toda a estratégia é uma forma de sair da mentalidade de “Made by Visa para “Enabled by Visa”. “É uma mudança cultural que temos feito diariamente”, finalizou.

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