Lockouts, quarentenas e regras de isolamento estão deixando as pessoas em casa e evitando a sua circulação, para evitar a sobrecarga do sistema de saúde, que pode ser observada na Itália e no Irã.
Um dos setores mais afetados imediatamente é o da economia criativa. Shows, peças de teatro, eventos e convenções foram cancelados e adiados por tempo indeterminado. A Sony fez o lançamento da sua nova linha de smartphones Xperia em um palco vazio em Tokio. O SXSW que seria realizado em Austin, no Texas, foi cancelado depois que a prefeitura da cidade decretou estado de emergência. Milhões de artistas, produtores e criativos de repente se viram sem condições de ganhar dinheiro. Uma crise sem precedentes.
E, agora, com os primeiros casos surgindo no Brasil, medidas de contenção já estão começando a ser tomadas. Entidades, prefeituras e governos estaduais já se manifestam com medidas preventivas e orientações à população, mas ainda não chegamos ao ponto de limitação à circulação obrigatória por lei.
É hora de usar o bom senso e buscar maneiras criativas para continuar o trabalho durante esse período complicado, que deve se estender por várias semanas, até o surto passar. Uma possibilidade é fazer eventos virtuais.
Existem várias soluções no mercado e, num ato de boa vontade, a Microsoft e o Google liberaram gratuitamente o uso das versões profissionais de seus sistemas de teleconferência corporativa – Skype e Hangout – durante a pandemia. São ótimas ferramentas para o tele-trabalho e que podem agilizar o dia-a-dia das pessoas, mantendo o ritmo produtivo das atividades em grupo, sem criar situações potenciais de contágio. Além disso devido a a pandemia a Cisco liberou o Cisco Webex, uma ferramenta gratuita para reunião com até 100 pessoas. . E uma das consequências positivas dessa crise é que as pessoas vão descobrir que muitas reuniões poderiam ser resolvidas com um e-mail. A comunicação tem que ser mais objetiva.
Em relação ao tele-trabalho, a Officeless criou um guia sobre como melhorar a produtividade nos projetos desenvolvidos à distância. É muito útil revisar os processos e implementar novas práticas e ferramentas úteis para ter mais tempo para o trabalho realmente criativo. A prática de home-office vai se fortalecer ainda mais.
E, quando falamos de trabalho criativo, além da parte desenvolvida em grupos, muito é desenvolvido de maneira solitária, com tempo focado. Devemos aproveitar para dedicar energia a projetos desse tipo, utilizando o tempo para tirar da gaveta projetos que estavam parados, revisar os portfólios, criar novas ideias, pesquisar novas referências e criar novos conteúdos.
Quem sabe uma nova geração de eventos, peças, roteiros, livros e demais expressões artísticas vai surgir por conta desse período de isolamento? Podemos, e devemos, aproveitar esse tempo para expandir horizontes e, quando o surto passar, termos coisas novas para apresentar ao mundo.
O brasileiro, tão caloroso e próximo nas relações pessoais, vai ter que refrear seus instintos e manter distância segura das outras pessoas. Nossa vontade de estar sempre em grupo, em boa companhia, vai ter que se adaptar a esse momento. Vai levar um tempinho, mas vai passar. Temos que vislumbrar um tempo pós-pandemia, com as pessoas nas ruas, nos teatros, nas praças, convivendo em harmonia e curtindo a arte, a cultura e a vida em comunidade. Com esse pensamento no futuro devemos agir no presente para chegarmos lá da melhor maneira possível: Criativamente.
*D.J. Castro é especialista em branding e sócio-proprietário da Nexia Branding
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