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Ig Nobel Prize 2011 ? Parte II

Biologia e Medicina

O Ig Nobel de Biologia 2011 foi concedido a Darryl Gwynne, do Canadá e Austrália, e David Rentz, da Austrália e EUA, pelo trabalho “Beetles on the Bottle: Male Buprestids Mistake Stubbies for Females (Coleoptera)” no qual descrevem o estranho comportamento dos machos de certa espécie de besouro que insistem em fazer sexo com garrafas de cerveja. Ambos os autores compareceram à cerimônia de entrega e em seu bem humorado discurso Gwynne declarou que “o estudo foi publicado há 22 anos e durante todo este tempo ele e David esperaram ansiosamente que o telefone tocasse para anunciar que haviam sido laureados com o Ig Nobel”. Ainda segundo Gwynne, o que os levou a fazer o experimento foi terem surpreendido à beira de uma estrada, durante uma de suas incursões às regiões desérticas do interior da Austrália para estudarem os espécimes locais, um besouro macho tentando fazer sexo com uma garrafa de cerveja vazia descartada pelos caminhoneiros que por ali trafegam. Intrigados, decidiram estudar o fenômeno e descobriram que ocorria apenas entre os machos de uma determinada espécie (Julodimorpha bakewelli) que, devido à cor e à existência de uma superfície enrugada, irregular, próxima à base da garrafa (ali presente para impedir que ela escorregue quando segura por uma mão molhada) eram levadas a confundir aquele tipo específico de garrafa (que na Austrália é denominada “stubbie“) com as fêmeas da espécie, cuja parte traseira tem o mesmo aspecto. Na conclusão de seu trabalho os autores ressaltam que “o fato de descartar garrafas de forma imprópria não apenas provoca risco físico e poluição visual no ambiente onde são descartadas como também apresentam o potencial de causar grande interferência no sistema de acasalamento de uma espécie de besouros”. Afaste as crianças da tela do computador e repare, na figura abaixo, obtida do vídeo da cerimônia de entrega, um macho da espécie Julodimorpha bakewelli surpreendido enquanto praticava uma relação sexual com uma indefesa garrafa tipo “stubbie“.

Como ocorre com alguma frequência na premiação congênere, o Nobel, o Ig Nobel de Medicina 2011 foi concedido a dois grupos distintos de cientistas que conduziram pesquisas independentes sobre o mesmo tema: como a premência em urinar afeta a capacidade de tomar decisões. O primeiro grupo, constituído por Lewis MSSnyder PJPietrzak RHDarby DFeldman RAMaruff P., todos da CogState Ltd de Melbourne, Austrália, foi responsável pela publicação do trabalho “The effect of acute increase in urge to void on cognitive function in healthy adults“. O segundo, composto por  Mirjam A. Tuk, da Universidade de Twente, Debra Trampe, do Departamento de Marketing da Universidade de Groningen e Luk Warlop, da Universidade Católica de Leuven, publicou o trabalho “Inhibitory Spillover: Increased Urination Urgency Facilitates Impulse Control in Unrelated Domains” (perceba que o nome do primeiro autor, Mirjan, já denota uma tendência nata para se dedicar a este tipo de pesquisa; eu diria que se trata de um predestinado).

Neste último trabalho os autores afirmam que “Estados viscerais sabidamente exercem um impacto [prejudicial] em nossa habilidade de autocontrole… Nós argumentamos que sinais inibitórios não são específicos de um domínio, mas podem extravasar para domínios não correlatos. Resultando em um aumento do controle dos impulsos no domínio comportamental.” Para testar suas conclusões os autores ofereceram uma grande quantidade de água aos participantes voluntários, fizeram-nos aguardar uma hora e, quando a vontade de urinar estava próxima de se tornar insuportável, submeteram-nos a três experimentos.

As conclusões do experimento 1 levaram a crer que o dito “estado visceral” contribuiu para a melhora no desempenho do reconhecimento de cores mas não no reconhecimento de palavras. Já os experimentos 2 e 3 levaram à conclusão que quanto maior o nível de controle da vontade de urinar, maior a habilidade de resistir a tentação de gastar dinheiro em coisas não essenciais.

Em resumo, ambos os trabalhos, realizados independentemente e sem o conhecimento um do outro, concluíram que a premência em urinar afeta significativamente a capacidade decisória, em algumas situações melhorando o desempenho, em outras afetando negativamente a qualidade das decisões tomadas (literalmente) sob pressão. Ambos os grupos de pesquisadores compareceram à cerimônia de entrega e receberam, orgulhosos, seu premio.

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