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Ig Nobel Prize 2011 ? Parte II

A cerimônia de entrega do Ig Nobel Prize deste ano teve início precisamente às 19h30min do dia 29 de setembro passado. Ela foi divulgada em tempo real pela Internet (transmissão tipo “webcast“) e detalhes podem ser encontrados na página “The 2011 Ig Nobel Prize Ceremony & Lectures“. Quem dispuser de tempo pode (e deve; para quem tem conhecimento suficiente do idioma inglês, é impagável…) assistir o vídeo completo (e, se não puder, sugiro enfaticamente que assista ao menos os primeiros cinco minutos, durante os quais poderá apreciar a execução “da melhor música jamais composta sobre química”, cantada em dueto por seu autor, Tom Leherer, professor de medicina, e Rich Roberts, um autêntico ganhador do Prêmio Nobel; não é preciso entender inglês para apreciar). Já quem não dispuser do tempo necessário aconselho pelo menos que assista ao vídeo de divulgação da cerimônia. Vale a pena.

Como de hábito o mestre de cerimônia foi Mark Abrahams, editor chefe da Annals of Improbable Research (veja-o na figura acima, obtida do vídeo da cerimônia de abertura). E durante seu desenrolar, como convém a uma cerimônia de entrega de prêmio, os prêmios foram entregues (e muito mais coisas aconteceram, o que torna a cerimônia especial e bastante diferente da entrega do Nobel). Porém, ao contrário de seu congênere fornecido pela Academia Sueca de Ciências, que brinda o laureado com uma quantia equivalente a três milhões de reais, o Ig Nobel é mais simples. O galardoado recebe apenas o prêmio em si mesmo, acompanhado por um documento (assinado por diversos ganhadores reais do Prêmio Nobel) atestando a façanha.

Mas em que consiste o prêmio? Bem, varia de ano em ano depende do tema da cerimônia de entrega (pois trata-se de um evento temático). O tema deste ano foi “Química” e o prêmio foi um objeto correlato: uma pequena mesa na superfície da qual vem estampada uma tabela periódica dos elementos (mais adiante, na figura, uma delas pode ser vista nas mãos de Karl Teigen ao receber seu Ig Nobel de Psicologia). Parece uma coisa meio besta, mas trata-se de uma brincadeira típica de acadêmicos, que apenas faz sentido para os angloparlantes versados em química. Pois, em inglês, a designação de “tabela” e “mesa” são homônimos perfeitos (homófonos e homógrafos).  O termo é “table“, naturalmente. Então uma “mesa de tabela periódica” é uma “periodic table table” (o que a plateia, formada predominantemente de estudantes de Harward, cientistas e pesquisadores, achou engraçadíssimo mas que, pensando bem, é uma coisa meio besta mesmo…)

Como antes mencionado, a cerimônia não se restringe à entrega dos prêmios. Há ainda, além de outros eventos performáticos, atividades como uma opereta em cinco atos sobre o café cantada e representada por doutores, cientistas e pesquisadores, uma revoada de aviõezinhos feitos com papel reciclado lançados pela plateia sobre um alvo humano no palco e uma pequena série de “24/7 Lectures”.

“24/7” é a maneira americana de se referir a uma atividade que jamais é interrompida, ou seja, que prossegue durante as 24 horas dos sete dias da semana, semana após semana. “Lecture” significa “aula”, “palestra”. Então simples a menção de “24/7 Lectures” deve dar calafrios a qualquer aluno universitário. Mas, na cerimônia de entrega do Ig Nobel, a expressão tem um significado diferente. Ela designa uma atividade que consiste em expor um tema científico razoavelmente complicado em apenas 24 segundos e, em seguida, resumir a explicação em não mais que 7 palavras que qualquer leigo possa entender. Daí o 24 (segundos) /7 (palavras). Durante a cerimônia houve quatro ou cinco destas “24/7 lectures”. A que mais me impressionou foi da doutora em psicologia Susan Lindquist sobre o tema “Stress Response” (“Reação ao estresse”), Que, depois de comprimir o tema em 24 segundos com termos para mim ininteligíveis, arrematou com as sete palavras: “What doesn?t kills you make you strong” (o que não lhe mata, lhe torna mais forte).

Ao fim e ao cabo a cerimônia parece um imenso parque infantil com brincadeiras igualmente infantis assistida por uma plateia não menos infantil. Só que as crianças são estudantes universitários, pesquisadores, mestres, doutores e vetustos cientistas, muitos deles laureados com o Prêmio Nobel e que, em outro ambiente, jamais ousariam se comportar daquela forma. O tipo da coisa que vale a pena assistir…

Agora, voltemos aos prêmios e seus laureados.

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