Paz e Segurança Pública
O Ig Nobel da Paz 2011 foi concedido a Arturas Zuokas, prefeito da cidade de Vilnius, a capital da Lituânia. Tudo isto porque, para coibir o estacionamento de carros de luxo em locais proibidos em sua cidade de seiscentos mil habitantes, o paspalho resolveu chamar a imprensa e se deixou filmar passando com um carro de combate sobre um sedã mal estacionado, que foi devidamente sucateado. Quem quiser apreciar a cena bizarra encontrará o filmete aqui. Francamente, achei tudo isto uma senhora basbaquice ? tanto a concessão do prêmio como o ato do beócio. Talvez, quem sabe, por viver no Rio de Janeiro e já estar acostumado com prefeitos parlapatões (e não me refiro ao atual, que até o momento tem estado mais para o lado da exceção que para o da regra). Seja como for, o patusco não somente compareceu à cerimônia de entrega como agradeceu comovido a honraria.
O Ig Nobel de Segurança Pública 2011 foi concedido a um único pesquisador, John Senders, da Universidade de Toronto, Canadá, embora no trabalho que o fez merecedor do galardão, “The Attentional Demand of Automobile Driving“, constem quatro coautores. O trabalho se estende por dezessete páginas, está repleto de equações diferenciais e integrais, gráficos, tabelas e referências bibliográficas, além da figura acima, por cuja qualidade me desculpo, mas que corresponde ao máximo de melhoria que consegui do original, já que os que se derem ao trabalho de consultar a íntegra do documento verão que a qualidade de sua digitalização deixa muito a desejar (durante a cerimônia o laureado, que a ela compareceu para receber o prêmio, declarou que os experimentos foram realizados há mais de três décadas, portanto o que se encontra no atalho acima é um conjunto de páginas digitalizadas usando um escâner). O estudo consistiu em quatro experimentos sucessivos cujo propósito foi “determinar empiricamente certas relações entre as características de uma estrada na qual um automóvel é dirigido, a disponibilidade de tempo que o motorista pode dedicar à observação da rodovia, o intervalo entre tais observações e a velocidade com que dirige”. Para isto, submeteram um voluntário à tortura, digo, tarefa, de dirigir um veículo em quatro diferentes situações onde variavam o tipo da estrada, o tempo em que lhe era permitido vê-la e os intervalos em que isto ocorria. Em todas elas, porém, uma viseira opaca (que se percebe levantada no lado esquerdo da figura acima e abaixada no lado direito) subia e descia em intervalos irregulares de tempo e, ao descer, impedia inteiramente que o pobre diabo, digo, motorista, enxergasse a estrada onde estava dirigindo. Confesso que o que mais me impressionou não foram as conclusões, mas a complexidade do tratamento matemático que se pode dar a uma coisa como esta: só integrais, contei cinco, e posso ter perdido alguma…
Pois é isto.
Semana que vem veremos os restantes cinco grupos de laureados.
Sempre lembrando que o melhor deve ficar para o final…
Até lá.
B.Piropo
Matemática, Química e fisiologia
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