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Demita uma estrela, aprenda com Bernardinho

Para alcançar bons resultados, é imprescindível uma equipe competente. Mas profissionais altamente qualificados tendem a ter um ego exacerbado, o que pode trazer problemas para o líder da equipe, como no caso do técnico da seleção brasileira de vôlei, Bernardinho, e do levantador, Ricardinho.  

Para Sônia Calado, coordenadora do mestrado em administração na faculdade Boa Viagem, do Recife, qualquer líder precisa ter sempre em mente que nenhum interesse pessoal deve sobrepujar o interesse da organização. No caso da seleção brasileira, o objetivo era a vitória do campeonato e, aparentemente, Ricardinho estava resistindo às decisões do técnico.  

No entanto, a primeira atitude de um líder não pode ser o afastamento do profissional, o desfecho do caso BernardinhoxRicardinho deve ser evitado ao máximo. “O papel da liderança não é apenas de condução. O líder não é apenas um formador de seguidores, é um formador de líderes. Ele, portanto, tem algo a contribuir para a formação do grupo e dos indivíduos. Assim, ele deve partir do pressuposto que, em algum aspecto, os indivíduos têm de ser desenvolvidos,” explica Calado. 

De acordo com a profissional, o bom líder não é somente o que impõe a regra da organização, mas sim aquele que consegue ajudar na formação do funcionário com ótimo potencial. “O momento do rompimento deve se dar somente quando o líder conclui que os valores do indivíduo estão profundamente arraigados e não há como mudá-los. Acho que foi isso que o Bernardinho sentiu quando resolveu excluir o Ricardinho do grupo”, diz Calado. 

Efeitos colaterais 

Após o ponto de rompimento o líder deve tomar alguns cuidados. Assim como no caso da seleção masculina brasileira de vôlei, quando uma pessoa com ótimo nível técnico e que tenha o reconhecimento da categoria é dispensada, a tendência é que parte do grupo demonstre resistência e o mercado crie boatos.  

Segundo Calado, para evitar crises no grupo, é preciso avaliar se a pessoa que criava divergências tem apoio de parte da equipe. “Muitas vezes, a resistência é fruto do medo da mudança e não de discordâncias. O líder precisa estabelecer uma relação de confiança com o grupo e expor claramente quais premissas e valores foram utilizados no momento da decisão. Parte da equipe pode discordar, mas expor a situação é a melhor forma do líder não perder credibilidade com o grupo”. 

Outra coisa importante que um líder deve ter em mente ao dispensar ou mesmo perder uma pessoa “reconhecida” de sua equipe é não deixar os detalhes das desavenças se tornarem públicos. “Quando um líder toma a medida extrema de dispensar uma pessoa valiosa de sua equipe, precisa avaliar que aquilo pode ser uma lição para ela e que, no futuro, aquela pessoa pode amadurecer e voltar a fazer parte do grupo”, explica Calado.  

No entanto, explicar minimamente para outros setores da empresa e, dependendo do caso, para a imprensa, o motivo do rompimento pode reduzir o impacto da perda, garante Calado. “Obviamente, de forma cautelosa, é bom dar satisfações para evitar a rádio-peão”.

 

Substituição 

O momento da substituição é bastante delicado. “As pessoas tendem a achar que o afastamento de um bom profissional está ligado a questões pessoais. Assim como apresentar as razões para seu desligamento, o líder pode evitar muitos problemas caso torne públicos os critérios de meritocracia”.  

“No caso Bernardinho, havia o agravante do substituto ser justamente seu filho. Mas, certamente, as tensões foram amenizadas quando o técnico apresentou as credenciais do jogador. No caso, expor as qualidades do substituto para além do grupo foi importante porque havia toda uma nação apostando naquela equipe. Essa é uma coisa que o líder tem que avaliar: a necessidade de publicizar os critérios de contratação, para além de seu próprio time” explica a coordenadora de administração.            

Para Calado, mesmo que não haja consenso na decisão, caso sejam tomados esses cuidados, a liderança do gestor não será afetada.

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