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Banco móvel, só daqui alguns anos

“O que estamos fazendo hoje são provas de testes, o banco no celular não é algo que vai ser disseminado agora. A geração que hoje tem entre 15 e 20 anos é que vai decidir como será”, avalia Gustavo Roxo, CIO do ABN Amro Real. A maior parte dos participantes do painel “Visão estratégica de lideranças de TI” concordam com Roxo e consideram o assunto, escolhido como tema do Ciab 2007, ainda bastante incipiente.
Um dos aspectos apontados pelos painelistas para justificar a baixa disseminação das transações móveis é a falta de padronização e a baixa qualidade dos serviços de telecomunicações. “O mobile não vai atingir a maior parte da população se não resolvermos essas questões [da padronização e do custo do serviço celular]. Hoje, a solução é levar para nichos, como os usuários de PDA. Mas, com isto, estamos elitizando o serviço”, comenta Alexandre de Barros, CIO do Itaú. Júlio Gomes, diretor de TI do Unibanco, concorda, e alerta para o fato da indústria de telecomunicações ser muito nova no Brasil. “Temos a tendência de ser impacientes e querer tudo o que o Japão ou a Europa já têm. Só temos de lembrar que eles começaram mais de dez anos antes de nós”, pondera o executivo.
Se a colaboração entre os bancos para criação de padrões seria um caminho para acelerar a adoção da mobilidade, esta não parece ser uma idéia dos CIOs. “Temos de pensar qual é o interesse das organizações financeiras em criar e trabalhar em padrões. Será que, no caso do mobile banking, não se trata de um diferencial competitivo e é melhor cada um trabalhar sozinho?”, alfineta Roxo, do ABN.
Já quando o assunto é segurança, os executivos são unânimes em defender a colaboração e o trabalho conjunto. “Segurança não é diferencial competitivo. É assunto que deveria ser tratado por toda a indústria financeira porque estamos falando da credibilidade das instituições”, dispara Glória Guimarães, diretora-geral de tecnologia da informação do Banco do Brasil.
A dificuldade para se trabalhar colaborativamente, na visão de Gomes, do Unibanco, vem de um processo histórico no setor bancário. “Muita coisa que hoje é commodity sempre foi vista como diferencial competitivo. Para se mudar a forma de trabalho, é necessário que haja, antes, uma mudança de mentalidade do setor”, avalia o CIO.

Os bancos e as ondas
Conservadores, os líderes de TI dos bancos são reticentes ao falar de arquitetura orientada a serviços e preferem não apostar todas suas fichas na novidade. “A estratégia da organização tem de passar o modismo. Para nós, SOA é apenas mais uma ferramenta que pode nos ajudar a seguir o planejamento estratégico”, garante Gomes, do Unibanco. Barros, do Itaú, concorda, dizendo que usa conceitos da arquitetura orientada a serviços, mas que não acredita em uma mudança radical.
Apesar do consevadorismo – refletido também na unânime opinião dos participantes sobre a continuidade do mainframe como principal plataforma para os sistemas bancários –, os CIOs das instituições financeiras estão atentos às mudanças. A questão da colaboração, trazida à tona pela Web 2.0, já está na pauta desses líderes. “Colaboração não é um modismo. É uma nova forma de trabalho que tem de ser incorporada aos modelos de negócios atuais”, avalia Glória, do Banco do Brasil. “Ainda é um ponto de interrogação, mas quando impactar os bancos, será algo incontrolável”, conclui Roxo.

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