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Tecnologia transatlântica

O passageiro que embarca no Queen Mary 2 (QM2) – o maior, mais caro e mais novo transatlântico – usa um smart card para entrar com segurança em sua cabine, assistir à programação da TV digital interativa e ao mesmo tempo ler seus e-mails. Pode ainda, sem sair do lugar, baixar o menu do jantar e pedir uma garrafa de pinot noir, que estará na mesa do restaurante assim que ele chegar lá. Quando retornar à cabine, poderá ouvir um pouco de Mozart a partir do vasto acervo musical disponível no sistema de televisão, antecipar ao serviço de quarto o café da manhã do dia seguinte e, finalmente, dormir.

O Queen Mary 2, que custou 800 milhões de dólares e foi construído pela Cunard Line, que pertence ao grupo Carnival, pesa mais de 150 toneladas e sua base de sustentação é apenas um pouco menor que a do Empire State Building, em Nova York. É ainda 44,8 metros mais longo que a torre Eiffel. Trata-se do primeiro transatlântico lançado pela empresa em mais de três décadas, desde o Queen Elizabeth 2, em 1969. O navio conta com spa, cassino, dois teatros, dez restaurantes, cinco piscinas e até com um planetário. Sua primeira viagem foi de Southampton (Inglaterra) para Fort Lauderdale (EUA), em janeiro deste ano. Em abril, o navio saiu de Southampton para Nova York. Em 2007, a previsão é que a costa brasileira faça parte de uma das rotas.

Os smart cards e as TVs interativas são apenas alguns exemplos das várias possibilidades criadas pela área de TI. O QM2 é uma cidade flutuante, com sistemas integrados que o tornam certamente o navio mais avançado tecnologicamente.

Mas incorporar TI no navio não foi fácil. Um dos maiores desafios do departamento de TI da Cunard foi sua relativa inexperiência – 30 anos sem construir um navio e a inexistência, até então, de uma equipe focada no aspecto da tecnologia da informação. Além disso, o QM2 representa um novo nível de navio, mais sofisticado e moderno, o que significava que não havia um modelo preexistente de plano para orientar os líderes de TI na missão. E para acrescentar uma complexidade ainda maior a essa história, como a equipe não tinha acesso físico ao transatlântico (quer foi construído na França) até o fim do período de sua construção, foi preciso montar um centro de desenvolvimento em Miami para planejar e testar os sistemas.

A revista CIO (EUA) foi convidada para viajar a bordo desse navio, por um dia, para ver de perto como funciona a TI lá e conhecer quais tipos de desafios a equipe precisou enfrentar antes de o navio ganhar os mares.

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