Convencer uma base de 16 mil clientes a usar cartões de tarja magnética, além de lançar o smart card refeição em São Paulo, são as metas do Grupo VR, que também investe, este ano, na integração das tecnologias CRM e ERP.

Depois de lançar o piloto de smart cards em Goiânia (GO), o Grupo VR aposta as suas fichas numa empreitada mais ousada. A partir desse semestre, a companhia lança o piloto do cartão com chip em São Paulo para os clientes do vale refeição e ainda quer desovar – para uma base de 16 mil empresas em todo o Brasil – o cartão de tarja magnética do produto alimentação.


Três por quatro

José Luis Vicente

  • Diretor de tecnologia da informação do Grupo VR desde junho.
  • Formado em Matemática, antes de entrar para o Grupo foi vice-presidente de desenvolvimento de sistemas na Orbitall.

    Desafio
    Manter um orçamento compatível com a necessidade de investimento para melhorar a performance dos serviços. O foco é disseminar o meio eletrônico e integrar ERP, CRM e Internet com o objetivo de suportar as transações com cartão.
  • A troca de papel pelo meio eletrônico contará com uma infra-estrutura de tecnologia da informação mais parruda, com investimentos em CRM (Customer Relationship Management) e a integração do ERP (Enterprise Resource Planning) à Internet e a outros canais de comunicação.

    Com essas e outras iniciativas, o grupo espera faturar R$ 3 bilhões esse ano contra os R$ 2,3 bilhões acumulados no exercício anterior. No portal www.vr.com – desenvolvido internamente e hospedado na GlobalOne – serão incluídos pelo menos três serviços para os clientes, com o objetivo de oferecer vantagens competitivas.

    Um desses projetos é a possibilidade de pequenas e médias empresas fechar a folha de pagamento via Web através de um serviço ASP (Application Service Provider), moldado para que a VR atraia um número maior de clientes. Segundo José Luis Vicente, diretor de TI do Grupo, ainda não foi definido o parceiro para a empreitada, mas ele adianta que não será um grande fornecedor de soluções do mercado.

    Na agenda do Grupo está também a compra de equipamentos por meio de leilão reverso, a ser realizado ainda em julho. “A minha função é alavancar estratégias e consolidá-las. Portanto, não posso perder tempo com a aquisição de equipamentos ou com upgrades de um parque heterogêneo composto por 800 estações de trabalho (IBM, Compaq e Dell) e mais de 180 impressoras também de fornecedores distintos (HP, IBM e Xerox)”, diz Vicente.

    Migração

    A crença nos cartões de plástico ganhou vulto porque, assim como todo o mercado, a companhia se apóia nas projeções e estatísticas, como a recente pesquisa apresentada pela Credicard, onde somente no primeiro trimestre de 2001, 82% dos clientes da administradora que compraram online usaram cartão de crédito, contra 77% em 2000.

    “Temos 12 mil cartões de tarja magnética do produto alimentação em circulação, mas a partir deste semestre lançaremos uma campanha com o objetivo de converter metade da base (400 mil cartões)”, afirma Vicente. O projeto, iniciado em 2000, obteve um salto de 4 mil para 12 mil clientes que, embora utilizem o papel para o vale refeição, já migraram para o VA (vale alimentação) na versão tarja magnética.

    Joaquim José Xavier da Silveira, vice-presidente comercial do Grupo, explica que o projeto também foi alavancado pela tendência de as empresas adotarem cada vez menos o papel. Nesse caso, dentre as vantagens, a principal delas é a economia e a facilidade de uso, uma vez que há possibilidade de perda de um contravale, por exemplo.

    Mesmo ainda em fase piloto, o smart card será, segundo o Grupo VR, uma realidade nacional. O projeto da companhia foi iniciado em Goiânia e deve ser expandido para São Paulo ainda nesse segundo semestre. Atualmente, quem desenvolve a tecnologia do cartão com chip é a Smart.Net – empresa de TI que, inclusive, processa os produtos refeição e transporte. Os chips são da francesa Gemplus e os POS (terminais de ponto de venda), da Hypercom.

    Transição

    Migrar do papel para o plástico ou chip é uma tarefa que exige alguns anos para que a economia comece a aparecer. No caso do Grupo VR serão necessários pelo menos três anos e meio, segundo Vicente, até que a empresa deixe de distribuir os produtos em formato papel e obtenha vantagens que cheguem a até 50% do ponto de vista orçamentário. Porém, de acordo com Silveira, vice-presidente comercial do Grupo, esse é o tempo hábil para que exista uma infra-estrutura de TI capaz de suportar as campanhas de marketing e as estratégias que a companhia pretende levar à mesa do consumidor.

    Os dois projetos – chip e tarja – exigem um avanço do CRM do Grupo, que há cinco anos trabalha com o Vantive na parte de atendimento ao cliente. Naquela época, a empresa implementou a versão 4.0 na área de help desk e, posteriormente, novos módulos que culminaram na versão 8.2.1 implementada no ano passado. O call center é administrado pela CSM (Cartões de Segurança S/A) e operado por 17 funcionários da VR, para atender aos clientes corporativos. Outros funcionários, aliados à infra-estrutura da Atento atendem os clientes pessoa física.

    Segundo Vicente, o Grupo está implementando ferramentas que lhe permitam conhecer o histórico de cada funcionário de sua base de clientes. “Estamos instalando o módulo de vendas”, conta o diretor de TI. Segundo ele, o Vantive Self Service permitirá o auto-atendimento dos clientes pela Web. “Ele faz o pedido e pode saber a data de entrega dos tickets, por exemplo.” Para suporte à esta nova infra-estrutura, a companhia achou necessária a aquisição de mais 2 Terabytes de disco de armazenamento com tecnologia EMC, adicionados aos 400 GB anteriores.

    A estratégia será complementada pela adoção, nos próximos dois meses, de ferramentas de business intelligence, da Business Objects ou da Cognos. “A idéia é obter informações de todos os canais: Internet, portal, ERP, call center”, afirma Vicente.

    À altura

    Diante da nova postura que a companhia quer imprimir ao mercado, um modelo de gestão começou a ser implantado no primeiro semestre de 2000, por meio do pacote ERP PeopleSoft 7.70 GA. A equipe responsável pelo projeto é formada por aproximadamente 15 pessoas entre consultoria e profissionais da própria VR. “Antes contávamos com um ERP desenvolvido internamente mas, diante dessa avalanche de projetos, houve a necessidade de trazer um software de gestão que apresentasse maior aderência”, lembra Silveira.
    Para a escolha da tecnologia, a companhia abriu uma concorrência onde participaram também a Oracle e a SAP, que apresentaram produtos tão bons quanto o escolhido, mas com valores superiores.

    A implantação do PeopleSoft será concluída em setembro, sendo que já operam os módulos de contabilidade e ativo fixo e, a partir desse mês, entram em ação os sistemas de contas a pagar, estoque por consumo, orçamento, despesas, compras e recursos humanos. Numa última etapa, serão instalados os módulos de estoque para material de compras, contas a receber, tesouraria e fiscal. “Não adotamos a versão Web do ERP porque esse projeto era um dos assuntos urgentes do ponto de vista estratégico do Grupo VR”, conclui Vicente.


    RAIO-X

    GRUPO VR

  • Faturamento 2000 – R$ 2,3 bilhões
  • Estimativa de faturamento 2001 – R$ 3 bilhões
  • Orçamento previsto para TI – não divulgado
  • Base de clientes – 17 mil, sendo 3 mil grandes corporações
  • Parque instalado de software – ERP: Peoplesoft versão 7.70 GA; software de escritório: Office da Microsoft; sistema operacional: HP-UX; banco de dados: Sybase 11.92; CRM: Vantive 8.2.1
  • Parque instalado de hardware – Servidores: 8 Risc e 10 Intel; Storage EMC; Workstations: 800 (Dell, Compaq e IBM)
  • Rede de telecomunicações – maior parte Compugraph e AT&T com 15 pontos de rede espalhados pelo país.

  • Lado a lado

    Como CEO (Chief Executive Officer) do Grupo VR desde 1998, Claudio Szajman analisa a importância da tecnologia da informação para a corporação e declara a necessidade de suporte da TI.

    CW – Como a área de tecnologia da informação se relaciona com as estratégias corporativas?
    Szajman –
    A área de TI faz parte do comitê executivo do Grupo VR, fórum onde as decisões e o alinhamento estratégico do grupo VR acontecem.

    CW – Qual a importância da TI para a companhia, já que a meta é migrar para os meios eletrônicos (cartões inteligentes e com tarja magnética)?
    Szajman –
    Como os produtos estarão embarcados em tecnologia a importância é estratégica, não só operacional.

    CW – Qual a meta do Grupo VR esse ano?
    Szajman –
    Nossa meta é crescer 30% em volume de vendas. Queremos também, até o final do ano, ter a maioria dos nossos clientes fazendo seus pedidos pela Internet.

    CW – Qual a sua visão sobre a TI atualmente? Citar pontos altos e baixos e explicar.
    Szajman –
    Entendo que TI é um assunto amplo que deixou, nos últimos anos, de ter um tratamento puramente operacional. A função e o assunto ganharam importância estratégica. Com a chegada da Internet e o entendimento do seu real valor agregado para empresas, empresários e a própria sociedade, veremos cada vez mais a grande influência da tecnologia no consumo pessoal e profissional (B2B/B2C), fazendo com que, mais uma vez, nós tenhamos que entender de tecnologia, talvez não pelo lado técnico, mas pela sua funcionalidade e posição estratégica.

    |Computerworld – Edição 345 – 11/07/2001|

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