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Grid computing: como definir este conceito?

O dinamismo do cenário corporativo implica em incertezas e mudanças nos ambientes de negócio das organizações. A infra-estrutura e o suporte de TI devem responder com agilidade e rapidez a estas mudanças.

O velho cenário de instalações computacionais rígidas e pouco compartilháveis começa a demonstrar sinais claros de obsolescência. A arquitetura computacional se transforma agora no que chamamos de computing on demand.

Entre as tecnologias que suportam esta idéia encontramos o grid computing, um conceito em que todos os sistemas computacionais de uma organização (e eventualmente os de parceiros) podem ser compartilhados, criando um pool de recursos dinâmicos e um poderoso supercomputador virtual.

Embora pareça revolucionário, o conceito é uma evolução da eterna busca pelo compartilhamento e, consequentemente, maior aproveitamento dos recursos computacionais. Os sistemas em cluster são uma etapa deste processo e o grid computing pode ser encarado como uma evolução mais abrangente e aberta. Em tese, a maioria das aplicações suscetíveis de serem utilizadas em clusters poderiam usufruir do grid computing.

Esta tecnologia ainda está no seu início e, embora já seja utilizada com sucesso em muitas iniciativas científicas e técnicas, pode e deverá encontrar espaço no ambiente comercial, em aplicações como modelos matemáticos, simulações financeiras e análises de risco. Estas aplicações financeiras são “CPU intensive” e altamente “paralelizáveis”, ou seja, podem ser divididas em pequenos pedaços, que por sua vez podem ser executados em paralelo.

A tecnologia por trás do grid computing implica em um conjunto de software que gerencia recursos distribuídos e espalhados pela organização, disponibilizando como recursos os servidores e eventualmente os desktops da empresa. A idéia básica é “casar” os recursos disponíveis com as demandas computacionais da companhia.

O software de gestão do grid computing deve implementar restrições de segurança e políticas de compartilhamento de recursos, nos quais determinados computadores podem ser compartilhados por determinados projetos, mas não estão necessariamente acessíveis para outros. Além disso, o sistema deve permitir o uso de diversas e diferentes máquinas sob diversos sistemas operacionais. A aplicação do usuário não deve, idealmente, ser afetada pelo compartilhamento de recursos, ou seja, para ela o grid computing deve ser o mais transparente possível.

Antes da adoção da tecnologia é necessário um planejamento adequado, no qual as estratégias e políticas de compartilhamento de recursos dentro da organização estejam cuidadosamente desenhadas e definidas. Caso o compartilhamento exceda as fronteiras da organização, este planejamento, agora interempresarial, deve ser muito mais acurado.

Com certeza o conceito não pode ser deixado de lado quando existem recursos computacionais ociosos. Afinal, quem não tem desktops e servidores sem plena utilização? Por isso, os objetivos de redução dos custos de propriedade tornam-se cada vez mais prioritários. O grid computing pode ser encarado com uma alternativa de melhor utilização de recursos, criando um cenário de “consolidação virtual” de servidores.


|Computerworld – Edição 379 – 21/01/2003|

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