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Empresas de terceirização de RH fundem operações

Movimentos de consolidação do mercado, especialmente entre os fornecedores de TI, são marcados pelo excesso de competição e baixa demanda, certo? Errado. Nos últimos meses o mercado brasileiro de terceirização de serviços de recursos humanos viu o início de processo semelhante, mas originado por causas inversas.


A fusão mais marcante envolveu a Serta RH – surgida há cerca de dois anos da venda da operação de outsourcing da IFS – e a Propay, há quatro anos no mercado brasileiro. Agora sob a marca Propay, os responsáveis pela nova operação reconhecem que a competição não é tão grande e, ao contrário do mercado de ERP, por exemplo, ainda há muito espaço para crescer.


“Nesse negócio, a obtenção de escala é fundamental. O jogo é diluir os custos fixos. O Brasil tem hoje três ou quatro empresas grandes e várias outras pequenas que certamente não irão sobreviver”, afirma Alexandre de Botton, sócio-diretor da Propay, deixando claro que, com a fusão, a empresa coloca-se como uma das grandes.


Juntas, as duas companhias somam um faturamento de R$ 9 milhões (2002) e cerca de 100 clientes, colocando-se como a segunda maior empresa do país, atrás apenas da ADP Systems, o grande concorrente a ser vencido. “Estrategicamente isso é muito importante para nós. Nos Estados Unidos, quatro empresas dominam 80% do mercado, e isso deve acontecer por aqui também”, afirma Botton, que não descarta a possibilidade de novas aquisições no futuro.


<b>Normalidade</b>


Com 37 anos de atividade no Brasil, a ADP Systems ainda não vê a união de alguns de seus concorrentes como uma ameaça real. Ao contrário, para diretor de marketing e estratégias da companhia, Luiz Henrique de Oliveira, o mercado brasileiro ainda comporta muitas empresas.


“O Brasil tem hoje cerca de 30 milhões de funcionários em regime de CLT e nós processamos as folhas de cerca de 500 mil. O percentual de 1,7% ainda é tímido”, diz. Ainda assim, a conta mostra bem a diferença entre a ADP, que faturou R$ 100 milhões no Brasil em 2002, e a Propay, que hoje processa as folhas de cerca de 40 mil pessoas.


Isso não significa que a ADP esteja acomodada em sua posição de mercado. A companhia – que de 1997 para cá adquiriu duas outras empresas no Brasil, Iris e Intermet – também não descarta a possibilidade de novas aquisições. “É um mercado com muitas oportunidades”, afirma Oliveira.


Embora reconheça a inexistência de concorrentes nacionais, o executivo não deve mesmo se descuidar. Pelas contas de Botton, da Propay, a nova companhia é hoje a segunda do mercado e, mesmo distante em faturamento, a promessa é incomodar a ADP em pouquíssimo tempo.

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