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A Unisys e o futuro do mainframe

Todas as fichas da Unisys estão sendo jogadas no CS 7000, equipamento eleito para conduzir a transição da atual plataforma de mainframes da fabricante para o futuro. Lançado no mercado brasileiro no final de agosto, o CS 7000 também marca presença no mundo de servidores de grande porte e bate de frente, na busca da liderança, com o SunFire, recém-lançado pela Sun Microsystems. Será também a porta de entrada da fabricante no programa de venda sob demanda.

Walter Wolthers, diretor de sistemas e tecnologia da Unisys do Brasil, diz que o principal diferencial do CS 7000 não está no hardware – servidor Intel com capacidade de rodar até 32 processadores Xeon ou Itanium – mas no software. O equipamento, adianta o executivo, é o primeiro servidor da linha Wintel a rodar o MCP (Master Control Program), sistema operacional proprietário da Unisys, utilizado no ambiente mainframe.

Ao mesmo tempo, o equipamento também roda, sem problemas de interoperabilidade, o Windows 2000 Data Center.
Com arquitetura baseada na tecnologia CMP (Cellular Multiprocessing), que permite designar processadores independentes de acordo com a demanda, o CS7000 – com custo inicial de US$ 180 mil – será o grande rival do Sun 10000, além do midframe SunFire. É mais um round na disputa entre o mundo Sun e Wintel.

Wolthers não acredita que o novo equipamento enfrente a resistência do usuário, já que roda 32 processadores. Segundo ele, a migração para o Itanium – 64 bits – será lenta, especialmente em função de não haver um sistema operacional ainda adequado para a plataforma.
No Brasil, o CS 7000 está em fase de testes em grandes clientes.


À espera do PPB

A demora do governo em realinhar a distribuição dos novos PPBs (Processo Produtivo Básico) para o setor de TI retarda os projetos da Unisys. De acordo com Walter Wolthers, a fabricante aguarda somente a liberação do benefício para iniciar a produção do ES 7000 – direcionado para o mercado de entry level – e do CS 7000 — servidor de grande porte – no País.

“Os planos existem desde o lançamento do ES 7000 no ano passado. Mas dependemos dos incentivos. Tão logo eles sejam liberados, vamos estruturar o projeto fabril para que no primeiro trimestre de 2002 tenhamos servidores produzidos aqui”, informa.

Segundo Wolthers, a produção local é vital para a adoção, no mercado nacional, do modelo de aquisição por demanda de processadores. Sem ela – e com a instabilidade do cenário brasileiro e internacional na economia – a equação fica de difícil resolução.

“Nos Estados Unidos o hardware é muito barato. É possível fazer acordos deste porte. Aqui, o custo Brasil onera, e temos que estudar como vender sob demanda sem impactar nossos negócios. Com a produção local, já há uma suavização nas contas. Será mais fácil encontrar a resposta da equação de serviços”, finaliza o executivo. Até lá, a Unisys estuda a fórmula de adotar o programa de venda sob demanda, já adotada pelos concorrentes Hewlett-Packard e Compaq.

|Computerworld – Edição 349 – 05/09/2001|

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