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IA é usada para descobrir informações de vítimas do Holocausto

A Arolsen Archives, organização que preserva a maior coleção de documentos relacionados à perseguição nazista, contou com o apoio de um time de voluntários da Accenture para revisar documentos de vítimas do nazismo usando Inteligência Artificial. Uma solução baseada em IA ajuda a extrair informações sobre as vítimas 40 vezes mais rápido do que iniciativas anteriores.

Parte essencial do trabalho feito pela Arolsen Archives é garantir que esses documentos se tornem acessíveis para todos que desejam procurar por vestígios de vítimas e sobreviventes do Holocausto. Todos os documentos que estão nos arquivos precisam ser revisados e suas informações colocadas em um banco de dados. Para facilitar este processo, a Arolsen Archives criou o #everynamecounts, projeto de crowdsourcing em que voluntários extraem informações de documentos manualmente.

Sem uso de tecnologia, entretanto, a tradução, leitura, transcrição, catalogação e validação desses documentos manualmente poderia levar décadas. Ian Lever, voluntário da Accenture e membro do Grupo de Recursos para Funcionários Judeus, recorreu, então, à IA para acelerar o processo. Em apenas dez semanas, ele e outros voluntários estabeleceram uma solução de IA capaz de indexar os documentos. Como a IA captura as informações de forma mais rápida e precisa, quatro voluntários validam aproximadamente 160 documentos em uma hora.

Com a ajuda do time Solutions AI da Accenture, os voluntários configuraram uma IA existente da companhia que usa reconhecimento óptico de caracteres e tecnologia de machine learning. A ferramenta é usada para indexar documentos especialmente difíceis e tediosos de serem extraídos por humanos, como as listas de prisioneiros e de transferências dos documentos em questão.

Leia mais: Computação quântica é revolucionária, mas ‘não para qualquer coisa’

Mesmo que a inteligência artificial faça a maior parte do processo, a supervisão humana ainda é importante, não só para garantir a precisão, mas para manter o processo de aprendizagem da IA, ressalta a Accenture. Ao revisar e corrigir informações, voluntários “ensinam” a solução a reconhecer caracteres de caligrafia e abreviações típicos da época.

Desde que a Accenture implementou a solução de IA em dezembro de 2021, a solução indexou mais de 160 mil nomes de vítimas de perseguição nazistas, extraiu informações de mais de 18 mil documentos e agrupou mais de 60 mil documentos em grupos semelhantes para melhorar a identificação e análise. Mais de 950 funcionários da companhia já se voluntariaram para o projeto.

“Temos orgulho dos esforços dos nossos funcionários para ajudar a manter viva a memória daqueles que passaram por dor e sofrimento inimaginável. Isso é ainda mais importante em um momento em que o antissemitismo, o racismo e o ultranacionalismo voltam a dar as caras”, afirma David Metnick, diretor administrativo e patrocinador executivo do projeto na Accenture. “Nós identificamos um problema, e nele, uma oportunidade de praticar nossos valores e usar a tecnologia digital para o bem.”

“Estamos impressionados com a quantidade de voluntários que ajudam na digitalização do nosso arquivo”, disse Floriane Azoulay, diretora da Arolsen Archives. “A colaboração com o time da Accenture é um ponto alto. É incrível, agora temos uma solução digital capaz de capturar o conteúdo dos documentos com maior rapidez, deixando informações importantes acerca dos destinos de vítimas da perseguição nazista mais fáceis de serem encontradas em nosso arquivo online”.

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