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Governo cria plano de investimentos para Copa do Mundo

O governo federal criou um grupo de trabalho dedicado a identificar os investimentos que serão necessários para dar suporte à Copa do Mundo no Brasil, em 2014. O grupo é coordenado pela Casa Civil e vai realizar este mês (novembro) a primeira reunião temática sobre a infraestrutura de telecomunicações. Até dezembro, o objetivo é ter as estimativas iniciais de gastos a serem feitos nesse e em alguns outros setores, como o de segurança.

O GT da Casa Civil dividiu os estudos em áreas temáticas: portos, aeroportos, mobilidade urbana, estádios e turismo (basicamente hotelaria, que deve contar com novas linhas de financiamento). Em praticamente todas, estão previstas aquisições do mercado de tecnologia e telecomunicações – sistemas eletrônicos de bilhetagem, monitoramento de tráfego, controles operacionais para portos e aeroportos, aplicações de segurança, etc.

Fazem parte do Grupo Executivo da Copa a Casa Civil, o Ministério do Planejamento, da Fazenda, do Turismo e do Esporte. Conforme forem definidas as estratégias de trabalho, serão formados subgrupos com equipes de outros ministérios. Por exemplo, da pasta da Justiça, para tratar de segurança, e das Comunicações, para os projetos de telecomunicações.

Além de preço mais baixo, maior capacidade e qualidade para comunicação de dados, demanda atrelada à criação do Plano Nacional de Banda Larga, ainda sem consenso entre operadoras e governo, a Copa do Mundo e a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, vão exigir melhorias nas áreas de mobilidade e TV digital, aponta Antonio Carlos Rego Gil, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). A entidade representa oas fornecedores de software e serviços de TI e entregou ao governo estudo feito pela Booz &Co. sobre impactos sociais e econômicos dos investimentos em TI, especialmente na banda larga.

Gil destaca que há diferenças de infraestrutura prioritária para os dois eventos. “A Copa do Mundo vai requerer maior capacidade de comunicação; a Olimpíada, maior aplicação em TI.” Entre outras razões, porque, nos jogos olímpicos, mesmo a apuração dos resultados das provas precisa de mecanismos de controle e sistemas de medição distintos e muito exatos para cada modalidade, além da integração de diferentes bases de informação. Outro grupo de trabalho também se encontra em fase de constituição no governo federal, para tratar da Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

Estimativas
Para a Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib), mesmo sem Copa, o país deveria gastar para suportar um crescimento sustentável, só em infraestrutura de telefona fixa e celular, da ordem de 19,5 bilhões de reais/ano, durante os próximos cinco anos, em um total de 97,5 bilhões de reais. Entre 2003 e 2008, foram investidos 92,5 bilhões de  reais, uma média anual bem inferior, ou 15,4 bilhões de reais.

Dez cidades estão indicadas para sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014. Estudos preliminares chegaram a apontar um investimento global em infraestrutura da ordem de 110 bilhões de reais até 2014. Mas os números finais do estudo da Abdib só serão divulgados, segundo a entidade, depois de entregues a cada prefeitura e estado envolvidos no evento, processo que ainda está em curso. Segundo a Agência Câmara, o deputado Valadares Filho (PSB/SE) prevê um desembolso de 30 bilhões de reais do Poder Público em obras de infraestrutura urbana, dos quais 1,9 bilhão de reais apenas em estádios.

Na Olimpíada, o projeto brasileiro aprovado em Copenhague prevê investimentos de 28,75 bilhões de reais, em duas áreas: 5,6 bilhões de reais para equipamentos esportivos, equipes auxiliares e de apoio, venda de ingressos e toda estrutura operacional; e 23,23 bilhões de reais para infraestrutura — transporte e segurança, principalmente. Ontem (18), o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Nuzman, propôs aos parlamentares da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados destinar 1% do faturamento do setor de telefonia ao Esporte. Durante audiência pública sobre o planejamento para os Jogos do Rio em 2016, ele argumentou que projeto similar estaria para ser aprovado na Argentina, onde promoveria uma arrecadação de 60 milhões de dólares por ano. O presidente do COB também explicou aos deputados que o Comitê Organizador terá 2,8 bilhões de dólares para organizar os Jogos Olímpicos, cobrindo abertura, encerramento e competições.

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