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Google fortalece plataforma com relacionamento mais forte com desenvolvedores

Em 2006, pouco depois de Steve Ballmer, CEO da Microsoft, invocar “desenvolvedores”, em um vídeo que fascinou o YouTube, o Google estava apenas começando a pensar no seu programa para desenvolvedores. Foi em abril daquele ano que Michael Winton deixou seu cargo como diretor de engenharia na empresa de semicondutores para fundar o grupo de relacionamento com desenvolvedores no Google.

“Em 2006, o Google era uma empresa de buscas e propaganda”, explicou Winton em entrevista por telefone. “Não existia Google Apps, não existia Android, não existia Chrome, não existia App Engine, nada”.

Naquela época, o Google se preparava para lançar um produto chamado Checkout. Winton disse que, enquanto o Checkout era uma ferramenta comercial, era mais significativa do que uma API.

“(O Checkout) de diversas formas, foi o primeiro passo do Google em APIs como produto, quando desenvolvedores se tornaram alvos importantes”, disse Winton, que também apontou o Google Maps como um produto orientado a early developers.
“Antes de 2006, a API do Maps tinha alguns pontos de contato com a equipe de operações de consumidor, que observava os fóruns, mas a fundação do nosso grupo de relacionamento com desenvolvedores significou mais engenheiros que poderiam se envolver mais, em nível mais técnico, com os desenvolvedores usando a API do Maps”, contou.

O Google soube apoiar anunciantes e divulgadores, e criar help centers e recursos online escalonáveis para os consumidores. Mas era apenas o começo dos desafios para ajudar desenvolvedores. “Acho que, no final, houve um momento ‘droga!’”, disse Winton, “enquanto tentávamos definir o que dizer quando os programadores começassem a fazer perguntas. Foi o desafio para o qual eu me juntei ao Google”.

As APIs, ou interfaces de programação de aplicativo, descrevem como os programadores podem escrever códigos que se comuniquem com um sistema ou serviço especifico. As APIs podem ser privadas, de uso interno; públicas, para uso de todos, ou algo entre as duas opções. As empresas que operam plataformas de software, como a Apple, Google e Microsoft mantêm APIs para que desenvolvedores de software, dentro e fora da empresa, possam criar aplicativos para suas plataformas. Isso acrescenta valor à plataforma, mesmo enquanto oferece, ao desenvolvedor, um produto potencialmente valioso.

Idealmente, o relacionamento entre uma empresa de plataforma e o desenvolvedor é benéfico para ambos. Porém, fora de projetos em código aberto, o equilíbrio do poder pende a favor da empresa proprietária da plataforma. Como existem muito mais desenvolvedores fora das empresas, elas fazem investimentos significativos em programas de relacionamento com os desenvolvedores, a fim de que eles se sintam bem vindos e incentivados a trabalhar em aplicativos para suas plataformas.
Stephen O’Grady, principal analista e co-fundador da consultora de tecnologia Redmonk, disse que o foco do Google em desenvolvedores cresceu nos últimos anos.
“Google, assim como Apple e Microsoft e, basicamente, todas as plataformas de tecnologia do mundo, está atrás de desenvolvedores por uma variedade de mecanismos”, disse ele em email. “Com base nos gastos de capital para os eventos – hardware, serviços gratuitos e mais – fica claro que o Google, ao menos, vê valor real em seus programas.”

Os produtos para desenvolvedores e APIs do Google não só se proliferaram ao longo dos anos, mas também tiveram suporte mais complicado. Graças ao seu crescimento global, o Google agora tem de oferecer suporte em diferentes línguas e regiões. E, esse ano, a empresa investiu em melhorar seu suporte ao desenvolvedor e já contratou pessoal para relacionamento com desenvolvedores em todo o mundo. Hoje, a empresa tem 28 vagas abertas em relacionamento com desenvolvedor.
Ferramentas como mailing, listas, email e fóruns de discussão existem há anos, mas estão ficando mais ricas, disse Winton, apontando para o Google Groups, YouTube e StackOverflow como fontes vitais de informações para desenvolvedores.

Muitas empresas de tecnologia fazem conferências para seus desenvolvedores, para apresentar novas tecnologias e se envolver com a comunidade. O Google começou a fazer isso em 2008, e o evento Google I/O se tornou muito mais elaborado e mais longo – de dois dias, cresceu para três. Em 2012, o Google I/O duplicou o valor do ingresso para US$ 900, mas os ingressos ainda se esgotaram em 20 minutos, o que demonstra a demanda similar ao que vimos por US$ 1,6 mil para o Worlwide Developer Conference, da Apple, que dura cinco dias.

Além do espetáculo em queda livre com a primeira versão do Project Glass – os óculos de realidade aumentada do Google – pousando no centro de conferência do Google I/O, enquanto transmitindo sua descida, o Google ofereceu aos 5 mil desenvolvedores presentes um Samsung Galaxy Nexus, um tablet Asus Nexus, Samsung Chromebox, o dispositivo de música Nexus Q e a oportunidade de pagar US$ 1,5 mil, no ano que vem, para receber a versão para desenvolvedores do Project Glass.

Winton não quis dar informações sobre o tamanho da comunidade de desenvolvedores do Google ou a fornecer métricas que possam divulgar o sucesso dos esforços da empresa. “O nível mais alto de métrica é a adoção do produto”, disse ele, observando que a empresa mede diferentes aspectos, como a porcentagem de questões respondidas no fórum durante certos períodos. A empresa também rastreia as centenas de comunidades comandadas por grupos de desenvolvedores ao redor do mundo que realizam eventos focados no Google, mas sem o envolvimento direto da empresa.

“Desde o inicio, assumimos uma posição que oferece suporte eficiente aos desenvolvedores, criando a comunidade de desenvolvedores”, disse Winton. “Portanto, ao longo dos anos, o crescimento e a importância dos produtos e APIs para desenvolvedores cresceu muito para o Google.”

Com o Google I/O estabelecido como o centro de gravidade para sua comunidade de desenvolvedores, a empresa começou, recentemente, a tentar replicar sua experiência com conferências para desenvolvedor usando algumas das ferramentas criadas para o que é considerado a espinha social da empresa, o Google+. Para Winton, o objetivo é recriar a energia, empolgação e momentum do maior evento da Google em uma pequena tela ou em reuniões casuais direcionadas à comunidade.

Winton está especialmente empolgado com o Google Hangouts, o sistema de vídeo-chat do Google+, e o Google Hangouts on Air, que é a transmissão ao vivo do Hangouts, para melhorar o relacionamento com os desenvolvedores. “Queremos pensar nas ferramentas e oportunidades que temos para nos envolvermos com os desenvolvedores e continuarmos inovando na forma como os alcançamos”, explicou.
Em Junho, pouco tempo antes do Google I/O 2012, a empresa apresentou o Google Developers Live, um website para desenvolvedores de todo o mundo que mostra, ao vivo, transmissões interativas, tutoriais, sessões de Q&A (Perguntas e Respostas) e outros conteúdos voltados para o desenvolvedor, como conversas sobre financiamento de capital de risco e criação e monetização de aplicativos.

“Nós lançamos o Google Developers Live com a expectativa de tornarmos a empolgação e o engajamento que vemos no Google I/O disponíveis o ano todo”, disse Louis Gray, líder do Google Developers Live. “Temos visto um incrível engajamento conforme os desenvolvedores percebem que não somos uma empresa sem face atrás de um endereço de e-mail ou formulário. Eles têm uma maneira de conversar com nossos engenheiros, cara a cara, 24 horas por dia.”

Gray disse que, no pouco tempo que o Google Developers Live está ativo, ele viu centenas de pessoas assistindo aos eventos ao vivo e milhares de visualizações nos vídeos de arquivo no YouTube. Ele disse que, mais do que visualizações, a preocupação é alcançar as pessoas certas.

O’Grady vê valor na nova tecnologia do Google para comunicação entre os desenvolvedores, porém, argumenta que modos mais antigos de interação ainda devem dominar. “Hangouts são, sem duvida, um mecanismos eficiente e de baixa fricção para interação e colaboração”, disse ele, “mas, muito da difusão do desenvolvedor ainda consiste do básico: ferramentas e boa documentação, interação em listas de mailing e IRC, suporte de código aberto via programas como Summer of Code e, de modo geral, facilidade para o desenvolvedor criar sua própria plataforma de forma que lhe permita sucesso comercial”.

A Google parece bem a par disso e também está focada em recursos de desenvolvimento que não envolvem interação em tempo real. Em Fevereiro, a empresa consolidou seus recursos de desenvolvimento no novo website Google Developers. Nos últimos meses, a empresa apresentou o Google Developers Academy, um novo recurso de treinamento para produtos Google, e o Google Developers University Consortium, uma comunidade acadêmica colaborativa que usa ferramentas Google.

Winton disse que a abordagem da Google segue os princípios defendidos no The Cluetrain Manifesto, um livro de grande influência, escrito em 1999, que aconselha empresas a falaram abertamente com seus clientes, porque a Internet transformou o desengajamento de grandes empresas. Como exemplo, Winton observa que houve uma escolha consciente em não se referir ao pessoal de relacionamento com desenvolvedores como “evangelistas de desenvolvimento”, um título popular em muitas empresas de tecnologia.

Evangelista, disse Winton, conota uma conversa de mão única. Ouvir o que é dito a respeito é tão importante quando falar, insistiu ele. “Nosso nome para o cargo – e eu me orgulho de vê-lo se espalhando pela indústria – é ‘defensor do desenvolvedor’”, disse.

Em termos práticos, disse Winton, isso significa que os defensores dos desenvolvedores participam de reuniões de engenharia e podem dar opinião sobre bugs que devem ser arrumados para garantir que os problemas que afetam a comunidade de desenvolvedores sejam resolvidos. Os defensores dos desenvolvedores também podem ajudar a moldar a implementação de novas funções e as políticas de API que afetam os desenvolvedores.

“O Google é uma empresa baseada em engenharia e o pessoal de relacionamento com o desenvolvedor que contratamos são, antes de qualquer coisa, engenheiros, engenheiros que podem se comunicar”, disse Winton. “E isso tem sido muito importante para nós. Isso gera credibilidade, respeito e confiança nas organizações internas que nos ajudam a alcançar o sucesso”.

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