Fundador da Movile ensina como transformar ideias em empresas bilionárias

O que uma startup precisa para dar certo e se tornar um negócio rentável? Especialista no segmento, um dos fundadores do primeiro “unicórnio” brasileiro, a Movile, avaliada em mais de US$ 1 bilhão, e do aplicativo infantil número um do mundo, PlayKids, avaliado em mais de US$ 250 milhões, Andreas Blazoudakis explica: o ideal não é ter a ideia dourada, mas sim propor soluções para resolver problemas reais e contundentes do dia a dia.

O executivo, que por meio da Movile é acionista de empresas como iFood, MapLink, Apontador, Ingresso Rápido, Sympla, SuperPlayer, ChefTime, Delivery Center, tendo participado da fundação de mais de dez startups, também é criador do aplicativo WiFi Freezone, que conta com 10 milhões de hotspots globais.

Nos últimos três anos , após o investimento da Movile no iFood, Blazoudakis tornou-se especialista em plataformas O2O (online-to-offline) e Same Hour Delivery. Atualmente, é vice-presidente Sênior de Inovação da Movile, Innovation Advisor do SuperPlayer e CEO do Delivery Center.

“O que falta no mercado de startups atual, especialmente na área de tecnologia, são soluções para resolver problemas reais e contundentes do dia a dia, como era pegar táxi há apenas cinco anos. O Uber veio e resolveu isso de forma muito contundente. Muitas startups estão mais voltadas a criar soluções para expressar as ideias dos fundadores do que focar em um problema real e que incomoda as pessoas, para os quais uma solução nova seria muito bem-vinda”, enfatiza Blazoudakis.

Por outro lado, o especialista destaca que sobram no mercado aceleração, mentoria, coaching e investimentos em projetos que deveriam voltar para a prancheta por falta de maturidade e aplicabilidade real.

Nesta linha, o empreendedor é taxativo quanto ao sonho de viver de app: “essa é a maior ilusão que existe!”, dispara. “As app stores concentram quase 80% das suas receitas em cerca de cem apps, além do que, desde 2015 app nem é a coisa mais moderna. As pessoas deveriam pensar em viver de serviços mobile, e não de apps especificamente, pois eles vão desaparecer no formato que conhecemos hoje”, comenta.

Conforme o especialista explica que para formar um startup com boas chances de sucesso é preciso triar algumas ideias, não somente uma, e depois fazer um ranking para ver qual a pior. O ranking deve se basear em cinco perguntas:

– Tem distribuição sustentável (ou seja, o marketing digital se paga e gera ROI)?
– Qual o market size (Brasil, América Latina, mundo)?
– Gera dependência racional? Impacta quanto, se comparado a um Waze?
– Gera dependência emocional? Impacta quanto, se comparado a um Facebook?
– Qual a capacidade de monetização? Tem ticket médio abaixo de R$ 10? Tem muita frequência de uso? Qual o lifetime value?

Seguindo este modelo, o especialista afirma ser provável que a taxa de assertividade suba de menos de 1% para mais de 20%. “Só produza o que os usuários realmente querem que seja trabalhado para resolver um determinado problema do dia a dia”, finaliza Blazoudakis.

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