Notícias

‘From Normal to Normal’ nasce para enfrentar pandemia e acelera o digital

Adama significa “solo”, “terra” em hebraico e também é o nome de uma das principais empresas do segmento agroquímico do mundo. O nome foi adotado globalmente em 2014 depois da sua aquisição, em 2011, pela ChemChina, uma das maiores companhias de produtos químicos da China.

No Brasil, contabiliza mais de 40 anos de história, possui duas unidades fabris e tem sede em Londrina (PR), além de uma unidade em Taquari (RS). Reúne cerca de 640 colaboradores e em 2019 registrou faturamento de US$ 700 milhões.

Essa ponte com a China fez com que a companhia pressentisse no início de março deste ano que o coronavírus que estava provocando grave devastação sanitária e econômica por lá não demoraria a chegar ao Brasil. A gigante asiática já apresentava mais de 80 mil casos confirmados e, apesar de o Brasil contabilizar pouco mais de 120 casos de coronavírus, o sinal de alerta foi acionado.

Em uma das reuniões corporativas semanais de análise de risco foi tomada a decisão de preparar a empresa em solo nacional para uma operação online. Em meados de março, 600 colaboradores foram colocados em home office em apenas dois dias.

Essa foi uma das primeiras ações de contingência do projeto batizado de From Normal to Normal, vencedor do prêmio 100+ Inovadoras no Uso de TI 2020, na categoria Agronegócio e Serviços Relacionados.

“Começamos a acelerar a nossa transformação digital que havíamos iniciado em 2019 com algumas ações que viabilizaram e simplificaram a adoção do trababalho remoto. Já estávamos substituindo os desktops por notebooks e intensificando o uso de videoconferência, o que facilitou nosso plano emergencial de preservar a saúde de todos”, relata Luciano Lance, gerente de TI da Adama.

Para viabilizar o trabalho remoto, a companhia aumentou o número de licenças concorrentes para VPN, ativou suas permissões, alugou notebooks para aqueles que ainda usavam desktops e modens para quem não tinha boa internet em casa.

A inovação

Os colaboradores que trabalhavam em campo, visitando fazendas-clientes, necessitavam de cuidados específicos. Foram rapidamente elencados alguns riscos, acelerando ações de contingência.

De acordo com Lance, o desenvolvimento do algoritmo para calcular a probabilidade de um colaborador ser contaminado com covid-19 em um horizonte de uma semana, com apoio de machine learning, foi importante para construir ações de contingência e cuidados para mitigar riscos. Nas cidades onde tal risco passava de 10%, a empresa tomou a decisão de colocar o time em home office.

Também foi desenvolvida uma solução com analytics, alimentado por bots (RPA) e webscrap, que trouxe um cruzamento da geolocalização de todas fazendas (mais de 30 mil atendidas por cada um dos RTVs/vendedores) com o potencial risco de cada município.

“Junto com o time de medicina e saúde, os riscos foram classificados em categorias que trouxeram orientação ao time de campo: quais fazendas/clientes não poderiam visitar devido a risco muito alto; quais poderiam visitar, mas não almoçar ou dormir naquela cidade; onde poderiam visitar e se hospedar, entre outras orientações para dar continuidade ao trabalho com segurança, usando máscaras e seguindo os protocolos de proteção”, relata.

Outras ações também despertaram a inovação. Para evitar os impactos na produtividade, a Adama criou um concurso interno para ideação de automatizações de processos. Por conta das dificuldades de contratações nos moldes tradicionais, foram programados Hackathons, em que o time da empresa ficaria responsável pela configuração dos bots (RPA) com supervisão de consultores externos.

“O programa trouxe casos com redução de mais de 3 mil horas por mês, sendo que apenas no nosso primeiro Hackathon, de dois dias, usando salas virtuais via Zoom, já tivemos a efetivação de mais de 400 horas/mês de redução”, conta.

Outra estratégia adotada, prevendo dificuldades nos atendimentos do time de TI durante possível isolamento (na época, ainda apenas uma possibilidade): analistas/BP passaram a ser responsáveis por todo tipo de atendimento de TI para determinada diretoria. “Empoderamos esses profissionais para que atuassem como ‘minigerentes’ dentro de cada área, conhecendo de perto o dia a dia delas e assim entender melhor as necessidades de TI.”

No fechamento de junho, ele prossegue, a empresa registrou tempos de atendimento de incidentes até três vezes menores, percentual de tickets resolvidos no nível um, 60% maior (melhor) e ganho de market-share. “Conquistamos aumento de mais de 6% nas vendas, mesmo com mercado encolhendo 1,5%, comparado ao ano anterior”, comemora o vencedor na categoria.

Finalistas da Categoria

1º Luciano Lance, IT Manager da Adama

2º Rodrigo Ribeiro Gonçalves, CIO da UISA

3º Odércio Claro, VP de TI, Innovation Center of Excellence da Yara Brasil Agronegócio

 

Recent Posts

SpaceX, Anthropic e OpenAI enfrentam riscos em possíveis IPOs

SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital…

2 horas ago

Sistemas legados: como tomar decisões para garantir resiliência em setores críticos

por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…

6 horas ago

Sem equipes preparadas, IA não entrega transformação

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…

8 horas ago

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

1 dia ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

1 dia ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

1 dia ago