Ford e Toyota são rivais ferozes, mas estão com tanta pressa para melhorar as aplicações embarcadas nos carros que decidiram cooperar uma com a outra, nos padrões de tecnologia final. Clientes que comprarem carros e caminhões, entretanto, não perceberão qualquer tipo de interferência, apenas os benefícios.
Com a telemática, os fabricantes poderão saber quais aplicativos e interfaces digitais são responsáveis pela escolha de um carro em vez de outro. Por isso, Ford e Toyota vão cooperar para estabelecer padrões de dados e, também, para a transferência de informações de forma segura entre os veículos, incluindo WI-FI interno, melhor conexão Bluetooth, além de gerenciar informações de tecnologia de back-end.
O pacto é ?não toque naquilo que o cliente vê?, afirmou Jim Buczkowski, diretor global de engenharia de sistemas elétricos e eletrônicos da Ford. ?Nós vamos continuar competindo vigorosamente para prover estas experiências nos veículos. As tecnologias digitais que os consumidores vão se encontrar integram o lema ‘o que faz do Ford um Ford’?, acredita.
Duas mensagens devem ser um alerta constante, como um alarme de carro chato, para qualquer pessoa envolvida na TI de qualquer indústria.
Primeiro, os times de TI devem encontrar maneiras de se mover mais rápido para acompanhar os clientes e as expectativas dos funcionários sobre o que a tecnologia pode fazer. As escolhas por Apple, Google e Netflix são definidas pelas expectativas, e as equipes de TI devem atender à demanda.
Segundo ponto: os times de tecnologia devem ser criativos para descobrir uma forma de fazer com que a TI seja parte dos seus produtos ? não importa se esse produto for uma picape, uma estadia em um hotel, um watt de energia ou um serviço de coleta de lixo.??
São temas que abordamos ao longo deste ano, alertando equipes de TI que eles vão cair na irrelevância se não agirem rápido, participando das discussões sobre como as tecnologias se encaixam em novos produtos e no seu ciclo de desenvolvimento.
Para qualquer um que diga ?não na minha indústria?, ignorando essas tendências, considere a magnitude do que Ford e Toyota estão fazendo. As montadoras podem ser ferrenhas rivais, mas estão saindo da queda vertiginosa nas vendas dos automóveis. Cada uma tem demarcado a ?experiência digital? como ponto central dos seus produtos e vem agressivamente criando parcerias para melhorar essas experiências nos veículos (Ford e Toyota estão, inclusive, trabalhando juntas da nova geração de carros híbridos com tecnologia para caminhões leves e SUVs).
A Toyota criou uma parceria no início deste ano para trabalhar com a Microsoft na sincronização do sistema de entretenimento dos veículos. A Ford, inclusive, trabalha junto à Microsoft na mesma linha e tem experimentado tais inovações, coletando ideias de outras áreas, como a da saúde, criando assentos que se adéquam de acordo com as mudanças de peso.
?Não existe na história da indústria automotiva esse tipo de colaboração, isso é possível ver em empresas de produtos eletrônicos de consumo, que estabelecem padrões para tudo, desde 3D até Blu-ray?, comenta Buczkowski.
Para a Ford, a linha central é acelerar o mercado e reduzir custos. E, se puderem desenvolver padrões de back-ends e inovação necessária para embarcar aplicativos nos veículos mais rapidamente e a um custo menor, então os clientes poderão concentrar energia criativa para sonhar com coisas que fazem os compradores de carros pensar: ?eu preciso disso?.
?Velocidade é muito importante, traz novas experiências para acelerar o mercado?, concluiu Buczkowski. Ainda continua ouvindo aquele alarme de carro buzinando? As equipes de TI precisam se concentrar na inovação para o cliente final, e não apenas fazendo back-end de processos mais eficientes. Não há como ignorar essas tendências.
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