Falta visão de mais longo prazo no setor tecnologia da informação e comunicação (TIC) brasileiro, segundo o conselheiro e ex-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), Antônio Gil.
O executivo revelou que o mercado de negócios no Brasil cresce a taxas de 10% ao ano, em dólar, e de 15%, em reais, em entrevista publicada pela Agência Brasil, nesta terça-feira (14). “Tirando a China, é o país que mais cresce, mais do que a Índia, mais do que o dobro da média mundial”, argumentou.
Em 2013, o volume de negócios de TIC’s no Brasil alcançou um montante de US$ 233 bilhões, o que manteve o país na quarta posição no ranking global. Mesmo com o cenário positivo, Gil teceu algumas ressalvas. Para ele, o País precisa de grandes empresas na área de tecnologia da informação: “Nós somos o quarto maior mercado do mundo e a nossa maior empresa fatura US$ 1 bilhão, quando a Índia tem cinco empresas faturando US$ 10 bilhões.”
Segundo Gil, existem áreas críticas em que o país não está usando tecnologia da informação, como a educação. Ele também citou a deficiência do uso tecnológico em pequenas e médias empresas, defendeu um melhor o uso de tecnologia em processos governamentais e nas empresas privadas.
“É preciso que se olhe essas questões. E é preciso que se olhe, mais do que nunca, no longo prazo, porque a tecnologia se altera com velocidade extraordinária e nós não estamos enxergando além do nariz”, disse. O executivo acredita que o cenário deve ser estudado e planejado a longo prazo, pensando pelo até 2050, assim como países como a Coreia têm trabalhado.
Em relação à mercado de trabalho, Gil destacou a falta de uma distribuição uniforme de profissionais de TIC nas diversas regiões do país, realçando um problema iminente: está sobrando profissionais especializados em São Paulo, por exemplo, mas faltando no Ceará. “Isso cria distorções”, avaliou.
Para endereçar essas questões, a Brasscom quer que o governo que crie um grupo de trabalho e patrocine um estudo para discuti-las. Além disso, a entidade defende a criação do cargo de diretor digital, que responda diretamente à presidente da República e tenha autonomia para coordenar as atividades do Brasil no setor.
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