Empresas: tremam! O Facebook vai começar a cobrar para veicular ofertas promocionais, movimento que claramente pode ser adicionado no momento crítico que a rede vive em busca de gerar mais receita para sustentar seu IPO. Sim, os investidores estão sedentos por resultados.
O Facebook Offers, lançado no início deste ano, permite que varejistas e lojistas locais enviem anúncios de ofertas para seus fãs na rede social, e, nessa dinâmica, os usuários recebem as ofertas em suas páginas de novidades e resgatam cupons em lojas para receberem os descontos.
Pois bem. Até então o serviço era gratuito para os anunciantes, mas tudo mudará nas próximas semanas, com a nova estratégia do Facebook de cobrar pagamento de pelo menos US$ 5 (custo variável, aliás) sobre anúncios relacionados para promover cada oferta a uma audiência selecionada de fãs e amigos de fãs.
“Acreditamos que isso alinha os incentivos corretamente”, disse em comunicado Gokul Rajaram, diretor de gestão de produtos dos negócios de publicidade do Facebook. “Os melhores resultados do Facebook Offers virão da distribuição orgânica mais distribuição paga.”
Outra possível fonte de dinheiro extra para a rede social de Zuckerberg seria o f-commerce, o ecommerce do Facebook, que ainda não decolou exatamente pelas facilidades que a gratuidade do contato com os usuários permite. A vinculação do Facebook Offers a um serviço pago pode ser ?a dica? da rede sobre a mudança de seu perfil ?free.?
É tudo uma questão de ponto de vista: de fato, o IPO do Facebook foi um fiasco ? não necessariamente o dia em si, mas os que vieram após a oferta pública na Nasdaq -, e, desde então, a cúpula diretiva da maior rede social do mundo, junto ao seu CEO, Mark Zuckerberg, têm desenhado uma forma de capitalizar a empresa ainda mais, saindo da dependência das propagandas pagas. As ações do Facebook perderam cerca de 40% de seu valor desde a estreia.
Esse movimento de agora não muda, em suma, o formado de captação de dinheiro, pois continuamos a falar de ações de marketing dentro do Facebook. O outro fato é que a partir do momento em que essa questão comercial se iniciar, pode ocorrer o processo de debandada da rede, pois o Google+ estava ali, o tempo todo, esperando uma falha da rede de Zuckerberg.
Ok, não venha me falar que ?o Facebook tem quase 1 bilhão de usuários?, pois o fato não é esse. Em países, como o nosso Brasil, o ROI em mídias sociais é basicamente terrível, tendo em vista que a massa da população não sabe, ao certo, o que está fazendo online, e nem quer comprar via Facebook; só querem curtir com os amigos, se é que podemos colocar assim.
Será que as empresas vão curtir essa mudança na proposta de vendas? Obviamente é muito justo cobrar por um bom trabalho, isso não temos dúvidas, mas o Facebook Offers se torna verdadeiramente um produto, que tem que entregar valor ao cliente e ser constantemente atualizado, melhorado, reformulado e expandido. Quanto isso vai custar para as companhias?
O Google+ tem atualizado constantemente sua plataforma para receber melhor as empresas, com integrações e ferramentas muito bacanas. Aliás, recentemente publicamos as 10 melhores ferramentas do Google+ aqui no IT Web, que mostra exatamente essa intenção de colocar a rede social da gigante das buscas dentro do core business de muitas organizações.
Cada vez mais a experiência integrada do Google está atraindo as empresas. Com 400 milhões de usuários registrados e 100 milhões deles ativos, em apenas um ano de existência, o Google+ está diretamente ligado ao Android, o que para os usuários é uma fonte de facilidades de compartilhamento e para as empresas é a forma de estar cada vez mais próximo de chegar ao cliente.
Outro ponto: o Google perdeu sua dependência das campanhas online, o que não é o caso do Facebook, e oferecer um serviço gratuito e campanhas internas no Google+ seria absolutamente fácil de realizar.
O ?x? da questão é fazer o Google+ atrair usuários finais, pois, sem eles, não faz sentido para as empresas migrarem para lá. Mas, será que o Facebook saberá como fazer a cobrança real de valores de ROI com as empresas que veicularem campanhas por lá? E, até um pouco mais longe: como fazer para manter os usuários conectados na rede, sem torná-la um pool de propagandas? O legal do Facebook, como diz o próprio Zuckerberg, é que ele é gratuito e com a cara do usuário. Seria esse o momento de virar a chave e deixar a rede mais social do mundo com a cara das empresas?
Perguntas e mais perguntas, porém duas únicas possibilidades: ou as companhias compram, de fato, a ideia do Facebook e continuam apostando na rede, ou o Google+ pode estar prestes a dar seu salto no mundo social.
O que vocês acham? Existe essa correlação? Quanto essa mudança do Facebook Offers pode tornar o Facebook chato o suficiente para que aja a migração entre as redes?
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