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Existe a síndrome de Estocolmo corporativa? Ao parecer sim

Meu gestor é muito duro comigo, mas é porque ele quer o meu melhor! Quantas vezes você já disse ou pensou nessa frase? Eu perdi as contas de quantas vezes eu disse isso para mim mesma durante a minha carreira no mundo corporativo. A verdade é que eu achava que se o meu chefe me elogiava demais tinha algo que não estava certo.

Os gestores que mais me inspiravam eram aqueles que me pressionavam, que eram exigentes comigo, pois só assim eu acreditava que realmente estava evoluindo e que eles de fato estavam demonstrando que queriam o meu melhor.

Mas o que isso tem a ver com a Síndrome de Estocolmo?

A Síndrome de Estocolmo foi o nome dado a um estado psicológico em que uma pessoa, submetida a um período prolongado de receio, temor ou acanhamento passa a ter simpatia e está mesmo sentimento de amizade com relação aquela pessoa.

Agora, se você parar e observar não era exatamente isso que eu vivia?

Somos diariamente pressionadas para cumprir prazos, para fazer as coisas em menos tempo, com menos pessoas e, de preferência, perfeito. Estamos o tempo todo sendo avaliadas, testadas e questionadas para fazer mais e melhor.

Quem tem sido o gatilho desse nível de cobrança?

Eu sei que nós temos um importante papel nesses acontecimentos, mas o fato é que já existem estudos que algumas relações de trabalhos extremas podem gerar esse tipo de situação. Ainda estudando sobre esse tema encontrei um artigo interessante de uma advogada criminalista que menciona que essa reação afetiva pode decorrer da tentativa de reduzir a tensão entre os envolvidos e que é comum ver este tipo de reação em casos de assédio semelhantes à de um sequestro.

Muitas mulheres têm a tendência a ter um nível de auto cobrança, exigência e até mesmo perfeccionismo muito alta consigo próprias. Imagine que essa régua que já é extremamente alta com uma relação com um gestor que tem um nível de exigência elevado?

Seu gestor te faz sentir receio se as suas entregas estão boas o suficiente? Alguma vez você já sentiu frio na barriga de entregar um trabalho e ouvir o feedback dele?

Fique atento, isso pode ser você evoluindo, melhorando e crescendo profissionalmente, mas pode também ser o início de uma relação que pode destruir a sua confiança em você, nas suas capacidades e a forma que a sua carreira e o seu trabalho se entrelaçam com a sua vida.

Pense nisso!

*Thaís Lima é estrategista, desenvolvedora de carreiras e coach

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