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Especial Mobilidade: o que levar para esse espaço?

E-mail e navegadores são aplicativos óbvios para smartphones, mas algumas empresas estão indo muito além, usando os smartphones que estão, cada vez mais, nas mãos dos funcionários para resolver problemas específicos e alcançar objetivos também específicos.

A General Motors está de olho em um novo aplicativo para iPhone que irá mudar como e onde as pessoas vendem carros. Uma rede de centros de reabilitação vê na combinação “smartphone + computação em nuvem” uma forma de melhorar o tratamento dos pacientes e a produtividade dos funcionários. Um hospital do coração usa BlackBerrys para receber alertas em tempo real sobre a condição do paciente, incluindo imagens de monitoramento. Por toda cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, a polícia tem usado os aparelhos da Research In Motion (RIM) para tarefas como leitura e busca de impressões digitais. 

O estudo de caso da GM é um bom exemplo sobre como os aplicativos baseados em smartphones objetivam a forma como as empresas fazem negócio. Depois de voltar da proteção contra falência, a GM vai pegar carona no novo Chevrolet Cruze, o sedan compacto que deverá substituir o Colbat, nos EUA, na segunda metade de 2010. O Cruze irá dizer se a GM pode, finalmente, entregar um carro pequeno que agrade os jovens e descolados e que possa competir em um segmento dominado pela Honda e Toyota. Para tanto, a fabricante de autos o encheu de funções que vão do prático (10 airbags e 20 quilômetros por litro) ao moderno (conexão via USB e bluetooth).

A empresa também deu aos vendedores do Cruze uma nova ferramenta: um aplicativo para iPhone que testa se a forma como a GM vende carros também valerá para revisões. Usando o aplicativo, os vendedores podem acelerar o processo de venda do novo modelo o suficiente para que o comprador não tenha que se preocupar com nada além de assinar no local marcado. “O vendedor pode estar sentado ao seu lado em um jogo de futebol, encontrar com você no seu escritório ou em um café e completar a transação de venda ou locação sem que você jamais precise ir até a concessionária”, disse Bill Houghton, gerente de informação de processo para vendas globais, serviços e marketing da GM. 

O aplicativo inclui links para videos do interior e exterior do Cruze e um link para o sistema de gerenciamento da concessionária, para que o vendedor possa fazer buscas em inventários e preços de varejo e atacado para um potencial cliente. Se a concessionária não tiver o carro em estoque, o funcionário poderá fazer buscas nos inventários de outras unidades. A GM espera que o aplicativo elimine a papelada relacionada às vendas, mas ainda tem alguns pontos a serem resolvidos e alterados. O cliente precisa, por exemplo, assinar alguns papéis antes de fazer um financiamento. Uma ideia seria a de capturar a assinatura na tela do iPhone usando um stylus, parecido com o sistema de ponta de estoque de uma loja de varejo. A equipe de Houghton ainda não desenvolveu uma opção de stylus para o iPhone, “mas isso não significa que não exista uma por ai”, disse Houghton. 

A GM escolheu a plataforma do iPhone por suas habilidades gráficas e pelo o que o telefone representa. “Nós temos um novo veículo sendo vendido, por uma nova GM, de uma nova maneira”, declarou. “Se você está tentando capturar o que é novo e o que virá no futuro, certamente o iPhone tem um grande mercado e muita capacidade de crescimento.” A GM irá considerar outras plataformas conforme o aplicativo amadurece. Com a prova de conceito completa, as vendas e o marketing da companhia nos EUA foram investigadas por seus colegas na Coréia do Sul e China.  

Para integrar o aplicativo com os sistemas de gerenciamento back-end das concessionárias, a GM teve de modificar os serviços Web desenvolvidos para suportar as transações, como as que dependiam de conexões de internet rápida. Os dispositivos móveis que usam rede de celular gastam menos banda. A fabricante, usando serviços terceirizados de TI, teve de fazer algumas traduções e mapeamento por meio de SOAP para permitir a comunicação confiável entre os servidores de back-end e a interface REST do iPhone. O aplicativo deve conseguir suportar mais de 300 mil usuários simultâneos (o possível número de vendedores usando-o nos EUA), a qualquer momento, em uma rede de celular. E a única forma de fazer isso é garantindo que o aplicativo se comunique com o sistema back-end somente quando um processo de compra estiver ativo. 

Depois de um ano angustiante, que incluiu pedido de falência e empréstimos federais no total de US$ 50 bilhões, existem alguns sinais bem positivos para a GM: a venda de carros e caminhões subiram 4%, em outubro do ano passado, o primeiro mês de lucro com vendas para a empresa em quase dois anos. Este ano, entretanto, deve ser crítico para a fabricante de automóveis, já que a empresa irá introduzir vários novos modelos nos EUA, país que mais sofreu queda nas vendas. O Cruze pode fazer uma grande diferença. 

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