A Indústria 4.0 e o aumento da participação da tecnologia em setores da economia e da sociedade criam novas rotinas e processos. A velocidade com que as mudanças acontecem e a necessidade de soluções inovadoras fomentam uma dinâmica de trabalho cada vez mais ágil. Tudo isso faz com que as empresas estimulem cada vez mais a experimentação: tentativas de sucesso que podem ou não dar certo, mas que devem ser frequentes.
No ambiente interno das empresas de tecnologia, por exemplo, a experimentação ganhou lugar privilegiado nas últimas décadas. De acordo com um estudo lançado pela Standish Group, grandes projetos de software só são plenamente satisfatórios a uma taxa de 2%, enquanto 17% deles costumam falhar.
As novas máximas são: falhe, aprenda e tenha sucesso, características da Cultura Lean.
Eric Ries, criador da estratégia Lean Startup, afirma que o fracasso é inevitável, mas é necessário que esse fracasso seja superado de forma rápida e indolor. Dessa forma o empreendedor aprenderá com os erros a ter sucesso.
Pensando em auxiliar os empreendedores a implementar uma gestão ágil, especialistas dão quatro dicas para ajudar as empresas a construírem valor por meio do erro e validação.
Confira:
1 – Estabeleça metas simples e de curto prazo
Estabelecer metas a curto prazo ajuda a identificar rapidamente o que está dando certo e o que não está, podendo mostrar para a equipe de gestão em qual caminho focar, ressalta George Eich, sócio fundador da CoBlue, desenvolvedora de um software de OKR brasileiro. A metodologia é baseada na ideologia lean – que prevê a entrega de valor de forma rápida e constante – e ficou famosa pela adoção em grandes empresas como Google e Spotify.
“Para conseguir medir com precisão objetivos a curto prazo, eles não podem ser amplos ou complicados de entender. Portanto, prefira aumentar 20% as vendas por e-commerce do que aumentar o número de negócios feitos digitalmente. Assim todos da empresa conseguem trabalhar com um foco claro”, explica o executivo.
2- Erre, erre e erre
A validação do modelo de negócio é um dos passos mais importantes para o crescimento de uma empresa. Para alcançar objetivos ambiciosos é preciso testar diferentes métodos e ousar. Gabriel Sant’Ana, coordenador da incubadora MIDITEC defende a importância de testar modelos: “mesmo que o empreendedor acerte de primeira e tenha uma ideia inovadora e escalável, para manter a empresa sempre a frente no mercado é preciso que ele teste novas saídas e valide suas soluções. A cada erro ele está mais perto do acerto, uma vez que aprende onde deve focar a atenção e onde não pode ir”.
3 – Estimule a participação em todos os níveis
Para Victor Oliveira, CEO da Cheesecake Labs, a gestão ágil impacta diretamente na rotina dos colaboradores e no desenvolvimento de soluções mais efetivas, pois incentiva resultados mais rápidos e cria ambientes colaborativos. “Gerar feedbacks e integrar equipes são processos fundamentais para a satisfação dos colaboradores e para o alcance dos resultados. Estrategicamente, para as pequenas empresas é sempre importante reorientar os desafios, o que pode ser feito a partir de dinâmicas frequentes de participação e ciclos mais curtos de feedback, definindo metas cada vez mais altas”. Hoje, a Cheesecake Labs aplica uma gestão disruptiva de pessoas e incentiva o engajamento e a participação constante de seus 50 colaboradores tanto nas metas internas quanto nos projetos dos clientes. Com base em métodos ágeis, a empresa de desenvolvimento e design web & mobile aplica o desenvolvimento colaborativo em parceria com empresas do Vale do Silício, com a missão de criar soluções que impactem positivamente a sociedade.
4 – Projetos simples são melhores para avaliar e evoluir
Gustavo Dechichi, CEO da Avanti, afirma que dentro da área de projetos de uma empresa é importante mostrar ao cliente que o ideal é fazer um projeto enxuto e rápido para ser colocado no ar. “No e-commerce, por exemplo, muitas vezes o cliente tem em mente um projeto com muitas funcionalidades, que além de levar mais tempo para o desenvolvimento, pode não ter relevância na taxa de conversão da loja. Então vale mais a pena fazer um projeto enxuto e rápido, e depois ter um contrato de evolução. Com a loja no ar será possível analisar os hábitos de compra dos consumidores e propor evoluções que serão mais fáceis para medir os resultados efetivos”.
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