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Entender disrupção no nível do ecossistema será chave para sucesso

A Kodak, por muitos anos, imperou no mundo das empresas e seu caminho foi de grandes conquistas e inovações. A companhia de George Eastman tinha ideias visionárias, sendo a câmera fotográfica digital um dos melhores exemplos de seus feitos, e que abriu portas para um mundo de possibilidades a serem exploradas.
O problema é que a Kodak, como outras empresas, não previu que entrantes – por vezes mais novos e menos experientes, mas cheios de vontade – estavam no mercado e a empresa não previu o que estava por vir. Ela perdeu o timing e não conseguiu mais se recuperar até culminar em sua falência, decretada em 2012.
As empresas, portanto, não podem ter medo da inovação disruptiva – se não ficarão para trás. Para Ron Adner, professor de estratégia e empreendedorismo da Tuck School of Business, da Dartmouth College, a natureza da disrupção, no entanto, está mudando. No passado, explica o especialista em um artigo para o Harvard Business Review, ela ocorria em um nível discreto em produtos e tecnologias usadas para trazer valor aos clientes.
Com o surgimento de novas ferramentas, como a internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), todas as vertentes da indústria, do financeiro à TI, estão sendo obrigadas a se atualizarem, evoluírem rumo ao digital, criar produtos inteligentes e modernos.
Mas, ressalta o especialista, o sucesso do ecossistema depende mais do que apenas criar novos produtos com base no digital: “dependerá da criação de estratégias no nível do ecossistema”, não mais no nível de produtos ou tecnologias, “que englobam as muitas peças móveis que se juntam para criar uma nova proposta de valor”, afirma.
Entender e decifrar a disrupção no nível do ecossistema será a chave para o sucesso e evolução de empresas nos próximos 10 anos, na opinião de Adner. Mas como construir estratégias voltadas para essa nova fase? O professor pontua alguns itens que ele acredita poder ser caminhos para empresas traçarem guias para melhor competir em um cenário de disrupção baseada em ecossistema:
Especializar. Competir no digital, focando em coisas que continuarão a se beneficiar das melhorias de componentes. Se a Kodak tivesse previsto o aumento exponencial do consumo de imagens digitais por parte dos consumidores e investisse nesse ponto, a empresa poderia ter trabalhado suas capacidades de processamento e reconhecimento de imagem.
Ampliar. Considere a parte do negócio que pode ser movida para debaixo dos holofotes. A Kodak era precursora na gestão de fotos baseada em nuvem, mas seu foco era incentivar o compartilhamento de fotos com a intenção de culminar na impressão dessas fotos – em vez de abraçar a era das redes sociais.
Diversificar. Reconhecer a fragilidade da sua posição e não concentrar. Na ânsia de caminhar sempre para as impressoras, a Kodak vendeu partes atraentes de sua empresa, como a sua unidade de imagens médicas. Se o risco baseado nos ecossistemas tintivesse sido melhor avaliado, a companhia poderia ter pensado duas vezes antes de colocar todos os seus ovos de ouro em uma única cesta.
Colher e cultivar. Se você não conseguir realizar uma ação positiva no momento, salve seus recursos até que surja a oportunidade de investi-los em algo realmente bom. No pior dos casos, considere uma investida em um nicho estável. A Kodak desperdiçou uma fortuna em impressoras e, no final, não tinha capital suficiente para montar uma defesa adequada para suas patentes.
Para Adner, as empresas que aprenderem com os erros do caso Kodak e que entenderem como funciona a dinâmica do ecossistema (com a mente aberta), estarão “melhor preparados para responder de forma eficaz a esta nova geração de desafios disruptivos. Caso contrário, correm o risco de ter o mesmo destino da Kodak”, encerra.

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