Energia é fator crítico em transformação digital

 

Num momento onde o discurso em torno da sustentabilidade e eficiência toma proporções inimagináveis, pensar no que acontecerá com a matriz energética nos próximos 20 anos se faz ainda mais necessário. Ainda que nas discussões em torno da transformação digital a energia é deixada em segundo plano, o aumento de consumo previsto apenas para aplicações digitais, além da necessidade de buscar alternativas aos combustíveis fósseis e meios de levar o acesso às mais remotas localidades mostram a importância do debate.

O tema foi um dos destaques da abertura do Innovation Summit organizado pela Schneider Electric, em Paris, quando o presidente global da companhia Jean-Pascal Tricoire, ressaltou o quão fundamental é o acesso à energia para que realmente seja possível uma transformação digital da sociedade por completo. Para o executivo, apenas quem viveu em países pobres e emergentes sabe o que a falta de energia elétrica traz como consequência.

A visão da empresa, de maneira geral, é de que exista uma convergência entre digital e matriz energética porque um assunto está ligado ao outro e, assim como a computação, o modelo de negócio de energia passa por uma transformação. Mas antes do negócio em si, pensar em digital na ponta significa mais pessoas acessando aplicações por qualquer tipo de dispositivo que, para funcionar, demanda energia. “O consumo de energia pela TI é uma das coisas mais subestimadas e precisamos falar disso. Blockchain, bitcoin, AI tudo isso consome energia e podemos utilizar essas mesmas tecnologias para projetar como será esse consumo”, pontuou.

Dados apresentados pela Schneider Electric durante a abertura do encontro dão conta de que, até 2030, 20% do consumo energético virá de aplicações digitais, uma previsão que vem em meio a uma descentralização da distribuição energética pela popularização de novas fontes, como a solar, cuja geração deve crescer até quatro vezes em países como Alemanha, Austrália e Brasil. Esse crescimento de geração por fontes limpas e alternativas, aliás, é o que deve salvar mais de 1 bilhão de pessoas que ainda hoje têm zero acesso à energia elétrica.

Essa descentralização traz mais complexidade à gestão e, também, desafios aos tradicionais provedores de energia, que precisarão pensar em seus modelos de negócios, uma vez que, com painéis solares e legislações dúbias sobre o assunto, casas e empresas podem gerar energia suficiente para seu consumo. Mas fazendo uma analogia com o mundo da computação, essa descentralização leva a geração/distribuição para mais perto da fonte de consumo, como tem acontecido com o movimento de edge computing, ao levar o processamento para a ponta.

“Nós acreditamos na convergência de digital e energia juntos para os próximos 20 anos. Mas lembrem que é um grande desafio. Quanto mais pessoas acessam o mobile, mais pessoas precisam e dependem de energia”, alertou. Nesse contexto de gestão complexa, a aposta da Schneider é no conceito de EcoStruxure, uma console de gestão inteligente com camadas que incluem inclusive inteligência artificial e realidade aumentada, permitindo redução de queda e manutenção preventiva, evitando perdas e trazendo aumento de produtividade e eficiência no meio corporativo.

*O jornalista viajou à Paris a convite da Schneider Electric

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