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Ecossistema reage à compra da Nokia pela Microsoft

A Microsoft segue em sua luta para avançar no mundo móvel. Mesmo com algumas evoluções significativas, não dá para afirmar que sua estratégia tenha decolado. A compra da Nokia, por 7,2 bilhões de dólares, abre expectativas, mas traz também a sensação de que o movimento veio um par de anos atrasado.

As peças vinham sendo movidas no tabuleiro até a divulgação da aquisição. Mas o anúncio feito na segunda-feira (02/09) deixa um sentimento de que a compra da finlandesa surge como uma resposta um pouco tardia para um movimento que já fazia eco na cabeça de Steve Ballmer desde o estreitamento das relações da companhia, há alguns anos.

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?Há quatro anos a compra fazia mais sentido?, avalia Mauricio Cacique Andrade, presidente da Flag, citando que muita coisa mudou nesse intervalo. Questões como a polarização do mercado de aparelhos rodando sistemas Android e iOS, por exemplo. Ele destaca ainda que o que virá da Nokia em termos de patentes figura como ponto fundamental no processo de inovação da MS no campo de mobilidade.

Na visão de executivo, que já ocupou a presidência global da associação de parceiros Microsoft, no aspecto de canal muda pouco ou quase nada, uma vez que as revendas são direcionadas a software. O mesmo se aplica nas alianças OEM que a fabricante tem para embarcar o Windows em aparelhos de marcas como HTC, Huawei, Samsung, etc.

?Olhando para a parceria estreita com a Nokia, junto do desafio de ampliar a base instalada do Windows Phone, já achava que isso iria acontecer em breve?, comenta Rafael Paloni, presidente da Network1, julgando que se trata de uma aproximação onde os dois lados ganham. O executivo da distribuidora lembra, ainda, da inclinação da Microsoft na estratégia de criar uma oferta robusta de dispositivos + serviços.

?Sem surpresas?, julga Maurício Fernandes, presidente da Dedalus, canal direcionado à venda de soluções de nuvem que mantém parcerias com Amazon e Google. O executivo prossegue: ?a Microsoft precisava fazer uma aquisição deste tipo e as opções que sobraram não eram muitas?.

Na sua visão, do rol de empresas disponíveis no mercado, ou seja, dos fabricantes não alinhados ao mundo Android, tratava-se da melhor opção disponível, ?claro, imaginando que Apple não é uma opção?. Fernandes ainda avalia que, do ponto de vista estrutural, a Nokia pode significar também uma revitalização à gestão da MS.

?Ter a Nokia dá à MS acesso a muitas coisas boas. Branding, acordos, processos de engenharia, patentes, cultura de inovação. É a visão de ser uma empresa de “devices” e “serviços”. Mas o desafio de se manter relevante neste mercado continua. E tanto Nokia quanto MS já tiveram dias melhores?, avalia.

1 + 1 = ?

A matemática dos jargões corporativos costuma dizer que o resultado da soma de duas empresas precisa ser maior do que três. Fica a dúvida se isso se aplica neste caso. Nokia não conseguia tração no mundo dos smartphones enquanto a Microsoft patinava em mobilidade.

?Ainda vai demorar para transformar isso em uma empresa só. Talvez seja melhor para os dois?, Roberto Dariva, CEO da Navita, companhia focada no mercado móvel. O executivo cita que, apesar de tudo, o mercado de hardware nessa frente ainda garante boas margens aos fabricantes ? tanto que há uma gama grande de organizações que não produzem SOs e tem bom lucratividade. ?Agora, a Microsoft nunca foi uma empresa forte em equipamentos, portanto, resta saber como eles vão tratar isso?.

A parte boa, na opinião de Dariva, é os frutos que isso pode render no longo prazo. Afinal, há uma expectativa do mercado corporativo de rodar tudo na mesma plataforma, do servidor aos aparelhos nas mãos das pessoas. Isso só será efetivo quando as empresas migrarem suas infraestruturas e retaguardas para versões mais recentes do Windows. Talvez aí surja uma demanda interessante a um portfólio mais abrangente.

O que será da NSN?

Enquanto todos olham para onde os holofotes apontam para questões mais óbvias do acordo entre Microsoft e Nokia, um especialista em telecom, que pediu para não ser identificado, lança a pergunta: ?o negócio agora – que pouca gente está se preocupando nesse momento – é qual será o destino da NSN (Nokia Solutions and Networks)??. Ele já aponta algumas alternativas: ?… se pegam a grana para tentar resgatá-la, porque também está decadente – ou se realizam por completo…?

?E qual é seu palpite??, questiono. Ele opina: ?acho que é uma empresa a ser vendida. Mas o caminho pode ser longo e variável. Talvez comprar ou fundir com a Alcatel-Lucent ou Juniper fosse um caminho mas as cicatrizes da “parceria” com a Siemens ainda não fecharam.?

Sobre o direcionamento, ele acredita que não deixaria de ser uma compra ousada, caso os chineses, que ajudariam a posicioná-los de vez no mercado europeu e norte-americano. ?E contra isso, talvez desperte interesse de Cisco, Ericsson (menos por ter muito overlap), etc?, adiciona, para concluir: ?Vai ser interessante?.

*Colaborou Adriele Marchesini.

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