Corrupção no varejo
E aqui vai uma pequena lista de coisas que quem sabe você jamais fez, mas que muito provavelmente conhece alguém que faz e não vê nelas nada de errado ou, se vê, considera desculpável, o varejo da corrupção:
calçada em uma das ruas de Campo Grande. O interessante é que se trata
de uma viatura policial.) O motorista só vai demorar um pouquinho, vai
ali e já volta, não tem culpa que o poder público não ofereça vagas
suficientes para quem delas precisa para seu automóvel e se uma senhora
com um carrinho de criança ou um cadeirante precisar passar, não custa
nada esperar o trânsito diminuir um pouco, descer a calçada e contornar o
veículo pela pista de rolamento. São apenas cinco ou seis metros. O que
que tem?
A lista poderia continuar a ponto de se tornar enfadonha. Usar programas pirata ou programas que solicitam uma módica contribuição do usuário sem fazer tal contribuição. Enganar o fiscal da alfândega quando declara verbalmente o que traz na bagagem retornando do exterior. Comprar, comercializar ou fabricar produtos falsificados, iguaizinhos aos originais. Fazer uma fezinha no jogo do bicho ou nos caça-níqueis ilegais. Emplacar o carro fora do domicílio forjando um endereço inexistente para pagar menos imposto. Declarar uma idade menor da criança que acompanha para que ela passe por baixo da roleta da condução paga. Substituir o catalisador do carro por um que só tem o invólucro. Estacionar em vagas exclusivas para deficientes. Solicitar notas fiscais de refeições e pequenos serviços reembolsados pelo empregador com valor a maior. Declarar raça ou cor da pele diferente para se aproveitar das cotas nas universidades. Instalar “gato” de luz, água ou televisão via cabo. Usar atestado médico falso para justificar faltas no trabalho. Dirigir após consumir bebida alcoólica acima do legalmente aceito. Violar a lei do silêncio…
Melhor parar por aqui. Mas exemplos não faltam e eu poderia alongar a lista mais umas tantas páginas.
Então vamos lá. Analisemos os fatos.
Para começar convém declarar que não pretendo passar por paladino da justiça e da honestidade, cidadão impoluto, virgem no prostíbulo. Também eu, confesso, já dei minhas pisadas na bola e andei me enquadrando em um ou outro dos comportamentos da longa lista de corrupção no varejo. Não sou isento de jaça, não quero me fazer passar por paradigma da virtude e faço questão de deixar isto bem claro. Porque se há um tipo que desprezo é o do falso moralista e, segundo meu critério, das qualidades humanas mais detestáveis, logo depois da estupidez, vem a hipocrisia.
Mas não posso me furtar a convocá-los a uma reflexão.
Será que esta pequena corrupção do varejo é menos condenável que a do governador que apareceu na televisão embolsando pacotes de dinheiro? Será menos prejudicial que a do capanga do deputado que levava dinheiro na cueca? Será mais moralmente aceitável que a do policial que libera o meliante em troca de “algum” ? Será que a corrupção do “E daí?”, do “O que que tem?”, do “Que mal faz?”, do “Qual o problema” deixa de ser condenável apenas porque se tornou difusa tão grande foi a adesão a ela? Será que a alegação do “todo mundo faz” coonesta estes comportamentos? Ou eles continuam sendo exemplos de corrupção ? só que pequena?
Veja bem: não é que eu seja a favor da outra, da grande que vira manchete, da do juiz Lalau, da do ministro tal e qual, da do nobre deputado e do não menos nobre senador, da do doutor delegado ou do excelentíssimo isso ou aquilo que “deu” no jornal nacional. Sou contra. Veementemente contra. Fervorosamente contra. Enfaticamente contra.
Mas antes de aderir a uma campanha contra ela, pretendo fazer ? e aconselho a quem teve a paciência de chegar até aqui nestas mal traçadas que também o faça ? um exame de consciência para avaliar quais das pequenas corrupções acima catalogadas pratico ou pratiquei. E, das que constatar, fazer uma promessa a mim mesmo de evitar a reincidência.
Do contrário não vai dar para aderir.
Senão vou acabar me sentindo, além de corrupto, hipócrita.
B. Piropo
O vice-presidente sênior e diretor-geral de Segurança da Cisco, Peter Bailey, não esquiva da pergunta…
Cada agente de inteligência artificial consome 450% mais tráfego de rede do que um humano…
O governo dos Estados Unidos colocou o Pix na mira. O escritório do Representante Comercial…
Anderson Figueiredo pertence a uma geração que viu a tecnologia deixar os laboratórios e ocupar…
Por Cláudio Fontes O potencial IPO da SpaceX não deve ser interpretado apenas como um…
A Microsoft realiza nesta terça-feira (02), sua conferência anual de desenvolvedores de software, com expectativa…