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E agora, robô?

A batalha por competitividade e crescimento direciona o olhar das empresas aos avanços da transformação digital e isso é algo que vem a cada dia se aproximando mais da adoção da automação e robotização de seus processos e atividades. Mas e o capital humano, como fica nesse cenário? Será que nosso espaço tende a ser substituído no decorrer dessa caminhada?

É impossível conter a evolução tecnológica e o progresso digital nos dias atuais. Estamos passando pela quarta revolução: a da informação. E nela, o modo como os dados navegam entre as pessoas e trafegam nas operações vitais das companhias está em constante mudança e tornando-se cada vez mais digital e veloz, e em escala global. Dispositivos que há pouco tempo eram considerados supérfluos, hoje, por exemplo, equipam e conectam linhas de montagem e operações fabris na Indústria 4.0.

Esse movimento de inovação tecnológica não deve ser evitado ou dificultado dentro do cenário de qualquer empresa. Remar no sentido contrário dessa corrente ou simplesmente ficar estagnado é contraproducente e apenas prejudica a luta pela competitividade. Se uma companhia quiser ser competitiva em um mercado em constante evolução e adaptação deve ter uma estratégia clara e definida, além de tomar proveito dessa onda de mudanças a seu favor transformando seus processos e agilizando métodos considerados clássicos.

Existem muitos exemplos de empresas que repensaram seus modelos de negócios para se adaptarem em uma nova realidade, como a Xerox, a Kodak e a Cisco. Mas por qual motivo? Devemos distinguir as mudanças estratégicas em dois grupos: a batalha contra a disrupção inovativa e a busca por competitividade. No primeiro, uma organização precisa alterar seu modelo de negócios de maneira profunda para trazer inovação e sobrevivência, frente a uma ideia disruptiva que alterou a maneira de se fazer negócios em seu ramo. No outro, não é necessária uma redefinição densa de seu negócio, apenas alimentar a busca por novas maneiras de fazer as coisas de forma mais simples, eficiente, com menos erros e alinhadas ao panorama atual.

Tanto um grupo quanto o outro encontrarão, no decorrer da caminhada, diversas ideias e oportunidades para aumentar a concorrência e competitividade em seu ramo de negócios. Sem dúvida, as mais recomendadas são Robotização e Automação. Eliminação de tarefas corriqueiras, redução de erros, trabalho sem intervalo, economia financeira e diminuição do tempo de Retorno sobre o Investimento (ROI), são alguns exemplos de como Robotic Process Automation (RPA) pode capacitar a modernização organizacional.

Mas o que uma empresa ganha aplicando RPA em processos? Tempo! Quanto tempo leva para digitar dados de um cliente na plataforma de Gerenciamento do Relacionamento com o Cliente (CRM)? Quanto tempo leva para consultar a taxa de câmbio atual e alimentar o sistema de Planejamento de Recursos Empresariais (ERP)? Quanto tempo leva para executar a validação de diversas planilhas na conciliação fiscal? Quanto tempo o cliente ganha quando seu pedido de vendas é processado em segundos? Quantas multas são evitadas quando os dados do cliente são atualizados periodicamente?

Com interação parcial ou total com humanos, o robô consegue oferecer apoio aos colaboradores sugerindo melhores caminhos e entregando informações relevantes. Robôs não-supervisionados são a força do back-office, processando altos volumes de dados em segundos, com alto paralelismo, multi-tela e desafogando tarefas baseadas em regras e entregando eficiência nas atividades repetitivas, com pouca ou quase nenhuma interação com humanos.

Não há como competir com o robô quando se fala de eficiência processual: 24×7; sem remuneração; sem reclamação e sem queda no desempenho. Então significa que os humanos já podem ser substituídos por robôs? Não!

A capacidade de crítica livre da informação não é uma característica do RPA. A robótica preza por mimetizar as ações e operações braçais, anteriormente realizadas pela força humana, e a automação em cadenciar essas ações. Mas quando uma decisão precisa ser tomada, com base em uma situação não prevista em algum mapeamento de processo ou regra, o cérebro humano entra em ação. Essa relação é o que se chama de Simbiose Cibernética, e essa afinidade deve ser muito bem azeitada, para que um agente não atrapalhe ou atrase o outro.

O capital humano não será substituído pelos ativos digitais da companhia. Esses ativos entregarão a eficiência operacional necessária para que as equipes possam focar seus esforços em temas e tarefas mais relevantes para a organização: o futuro. Pensamento estratégico, enriquecimento e amadurecimento tático e revisão da qualidade operacional são as novas áreas onde os humanos deverão interatuar.

Aqueles que detêm o conhecimento do processo, possuem ouro nas mãos. Adicione essa ciência às evoluções e mudanças dos cenários de negócios e aplique em novas regras e novos processos para as máquinas. Assim como disse Buckminster Fuller: “Se você quer que as pessoas desenvolvam um novo modelo de pensar, não se preocupe em ensiná-las. Ao invés, dê a elas uma ferramenta cujo uso as levará a novas maneiras de pensar”. As capacidades humanas serão aproveitadas em Comitês de Excelência, Continuous Improvement e Auditoria de Qualidade, nos quais de fato as competências de cada integrante serão potencializadas. Para não ser substituído por um robô, use seu cérebro.

*Por Cayo Evrard Ferratoni, analista de sistema da Schneider Electric Brasil.

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