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Dúvidas ainda pairam sobre uso de cloud em saúde

Segurança de dados, legislação, investimentos e infraestrutura. Muitas são as dúvidas e desafios no setor de saúde quando se aborda cloud computing. E, com intuito de trazer esse debate à tona, o último 1.2.1 Network Saúde do ano, evento realizado pela IT Mídia, na sede da companhia, em São Paulo, reuniu 25 lideranças para discutir o tema ?Computação em Nuvem: um novo modelo econômico computacional?.

Ainda incipiente no segmento de saúde, cloud computing traz uma série de questionamentos para as lideranças de TI no setor. As dúvidas vão desde modelo adotado à legislação, passando por segurança de dados, necessidade da infraestrtura e o momento certo para investir no modelo.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde, Cláudio Giuliano, a computação em nuvem deve ser vista antes como um modelo de sistema econômico. Por essa razão, o executivo pontuou os elementos que trazem valor para tecnologia: pagamento por uso; pagamento enquanto a empresa está crescendo, sem investimentos do Capex; arquitetura de elementos simples com ambiente de desenvolvimento; e foco no core business.

?Pensando como CIO, temos que tirar a complexidade e focar no core business. O principal negócio é a saúde, por isso, se deseja terceirizar a tecnologia?, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS), Claudio Giuliano.

Para caracterizar o serviço como cloud é necessário uma série de elementos como: mensuração, pois é preciso saber o que realmente se está consumindo; elasticidade, nas instituições de saúde é fundamental no caso de aquisições; serviço sob demanda, trazendo a possibilidade de aumentar o serviço caso necessário; e a conectividade de alta capacidade.

A nuvem também pode ser classificada em quatro tipos: privada; pública; híbrida; e comunitária (público específico em determinada comunidade, como por exemplo, uma nuvem compartilhada entre as secretarias municipais de um determinado estado).

Outra questão é o modelo de arquitetura escolhido. De acordo com o especialista, são três formatos: infraestrutura como serviço (IaaS); software como serviço (SaaS); e a plataforma como serviço (PaaS).

Vantagens x desvantagens

De acordo com Giulliano, a redução de custo pode ser vista como vantagem, mas, nesse quesito, o clichê ?cada caso é um caso? se aplica, pois é preciso estudar qual será o real impacto da redução de custo para instituição, ainda mais quando se trata de uma companhia da área de saúde. Para que tudo dê certo, o especialista traz algumas dicas acrescidas de uma espécie de check list:

– Capacidade de armazenamento (a compra será sob demanda. Não será necessário comprar mais storage);

– Processos automatizados, flexibilidade, mobilidade e foco no negócio (neste caso, os riscos pontuados pelo executivo são: segurança da informação, integridade, disponibilidade e confidencialidade do parceiro envolvido. Além disso, há os aspectos legais como responsabilidade civil e adesão às normas);

– Definir modelo (infraestrtura, software, plataforma) e tipo de nuvem (privada, híbrida e etc.);

– Comparar diferentes provedores;

– Negociar e garantir as SLAs em documentos ? esse é um fator chave para a contratação;

– Considerar uma futura migração de dados ? quando evoluída para software ou plataforma é muito mais difícil migrar, por exemplo;

– Faça um piloto, teste e conheça as empresas e faça o benchmark.

Debate

Uma das dificuldades expostas pelos participantes do 1.2.1 Saúde foi a questão da infraestrutura, fator fundamental para uma futura implantação de cloud. ?Estamos criando um alicerce com 170 mil vidas, não temos nem data center, como é que podemos falar em nuvem?, disse o diretor de TI do Santa Helena Saúde, Adriano Caros Gliorsi.

O executivo também acrescentou que para se ter cloud é preciso ter um alto nível de gestão de tecnologia. ?Para nuvem ou qualquer outro serviço que se terceirize deve se ter um nível de gestão muito bom, pois se perderá um pouco o domínio.?

Já Heitor Garcia, gerente de TI da Associação Congregação Santa Catarina (ACSC), disse que ?ainda é necessário amadurecer muito e na linha da disponibilidade, integridade e confiabilidade?.

Walter Paluna, gerente de TI da Santa Casa da Bahia, colocou um ponto importante para as instituições de saúde: o investimento em TI x receita do hospital. ?Sempre tem a questão do custo x benefício, se vale a pena encarar os custos internamente ou terceirizar.?

Gliorsi, do Santa Helena, ainda ressaltou os diferentes níveis de desenvolvimento das instituições do mercado. ?Quando entrei no Santa Helena, o departamento não tinha budget, em 2012 teremos 13,5% do orçamento geral e essa conquista foi por conta do que realizamos neste ano.?

Na ACSC, o orçamento de TI em torno de 3,5% foi necessário a cerca de três anos, quando a TI na entidade estava muito defasada. Agora, a entidade diminiu esse percentual para cerca de 2, 5 %. ?Ainda estamos colhendo os frutos desse período para ver se é necessário mais investimento?, disse Garcia.

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