Aos poucos, o Open Banking marca presença no mercado nacional, impulsionando uma agenda de inovação no tradicional segmento bancário. O conceito fomenta a “abertura de informações” de clientes com segurança e agora tem tomado forma no Brasil, ao ser regulamentado pelo Banco Central (Bacen) e com implementação prevista em 2021. O PIX, o sistema de pagamento eletrônico e instantâneo, entrou em vigor em novembro de 2020 e podemos considerá-lo como o primeiro passo do que está por vir.
A própria mudança do nome adotado pelo Bacen é uma confirmação do que teremos em breve. Isso porque o Open Banking passou a ser chamado de Open Finance, já que traz um conceito mais amplo de uma abertura não somente de bancos, mas sim de todo o sistema financeiro, o que inclui seguros, previdência e investimentos, por exemplo.
Os conceitos possuem as mesmas vantagens: estamos falando de uma gradual transformação nas relações entre instituições e clientes, que passam a estar no centro desse novo sistema. Dessa forma, dados pessoais e financeiros poderão ser compartilhados (mediante consentimento dos usuários), o que trará mais competição e eficiência para o ecossistema como um todo.
Além disso, o Open Banking/Open Finance promove um sistema mais inovador, ao possibilitar a criação de novos produtos, permite ser mais competitivo, pois viabiliza a oferta de melhores preços e condições; é mais transparente em relação a regras e taxas; e, por fim, revoluciona a experiência do usuário, com ofertas mais personalizadas.
E o que está por trás disso tudo são as APIs, que atuam como “elos” para serviços distintos e permitem a criação de novas cadeias de valor. As APIs serão protagonistas nessa nova estrutura, e devem ser vistas como “produtos” desenvolvidos para desafios de negócios específicos.
Ainda que muitas empresas usem APIs em suas rotinas, isso não significa que estão em conformidade com o Open Banking, pois precisam participar e se adequar à padronização das APIs que está sendo implementada nesse novo sistema – um dos principais pilares no conceito do Open Banking.
Com o espaço criado pelo Open Banking e a geração de um conceito mais amplo, o Open Finance, já podemos ver um movimento global com a força do Open Everything, que defende a “abertura” de vários outros segmentos. APIs abertas definindo padrões comuns para o compartilhamento seguro de dados, além de usuários mais conscientes e com mais conhecimento sobre o gerenciamento deles.
Essa tendência de abertura, que hoje se concentra no sistema financeiro, pode ser aplicada em outras áreas, como a saúde, o varejo, seguros etc.
Sabemos que há muito trabalho pela frente, mas os primeiros passos foram dados e deveremos ver ecossistemas cada vez mais integrados e benefícios cada vez maiores para os usuários.
*Claudio Maia é Especialista em Soluções de Integração para Inovação e Transformação Digital na Axway
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