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Divisão da cadeia de suprimentos de chips custará caro, diz fundador da TSMC

A escassez de chips continua sendo uma preocupação na cadeia de suprimentos de muitos setores. Embora governos estejam se esforçando para encontrar alternativas que supram a escassez, iniciada com as barreiras impostas pela Covid-19, Morris Chang, fundador da Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC), alertou que os esforços dos governos de todo o mundo para construir cadeias de suprimentos de chips domésticos podem elevar os custos e ainda assim não alcançar a autossuficiência, segundo informações da Bloomberg.

Em encontro virtual dos líderes da Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico, Chang, que falou como enviado de Taiwan, comentou que o negócio de semicondutores ficou sob pressão, em meio a uma escassez global de chips, ocasionando um alarme para a necessidade de autossuficiência em Tóquio, Washington e Pequim.

“O livre comércio nas últimas décadas impulsionou significativamente o desenvolvimento da tecnologia de semicondutores”, disse Chang a repórteres na sexta-feira (16). “Uma tecnologia mais complexa fez com que a cadeia de suprimentos fosse offshore”, disse ele. “Se tentarmos voltar no tempo, os custos aumentarão, o desenvolvimento de tecnologia diminuirá”.

Chang disse que os governos podem ainda não ser capazes de construir uma cadeia de suprimentos autossuficiente depois de gastar centenas de bilhões de dólares e muitos anos nisso.

Recentemente, Estados Unidos, Reino Unido e China manifestaram ações para tornar a cadeira menos dependente da TSMC e de outras empresas estrangeiras de chips.

O governo dos EUA, por exemplo, propôs uma conta de US$ 52 bilhões para aumentar a produção de chips e impulsionar a pesquisa e desenvolvimento de semicondutores em solo americano. A União Europeia planeja dobrar a produção de chips para pelo menos 20% do fornecimento mundial até 2030 e Xi Jinping, presidente da China, nomeou seu czar econômico, Liu He, para supervisionar os esforços do país para reduzir essa dependência.

Chang continuou a defender o modelo de negócios de fundição em que foi pioneiro, o que fez com que a produção global de chips ficasse altamente concentrada em Taiwan, principalmente para semicondutores de última geração usados em smarpthones e servidores.

No entanto, a TSMC agora está gradualmente se afastando desse caminho com vários projetos no exterior, como a construção de fábricas no Arizona e no leste da China, bem como analisando uma nova fábrica no Japão.

Ainda assim, Chang disse que o método antigo ainda é o melhor para atender à demanda do consumidor global.

“É prudente ter uma cadeia de fornecimento de chips autossuficiente para algumas aplicações de segurança nacional. No entanto, para a enorme demanda do setor privado, é melhor manter uma cadeia de suprimentos de chips baseada no sistema de livre comércio”, disse ele.

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