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Entenda qual é a relação entre diversidade e transformação digital

“Meu trabalho é fazer as empresas perderem o medo de gente. É muito louco isso, porque somos todos gente”. A afirmação é de Maite Schneider, CEO Transempregos, entidade que tem o objetivo de inserir profissionais transgêneros no mercado de trabalho. Ela lembra que as 10 habilidades necessárias ao futuro do trabalho, apontadas pelo Fórum Econômico Mundial, estão ligadas às pessoas e não podem ser substituídas por máquinas, como resolução de problemas e pensamento crítico.

 

Para ela, para atravessar as mudanças do mercado e se preparar para os próximos anos as empresas precisam deixar de ter “medo de gente” e investir na diversidade e em uma cultura mais inclusiva. “Hoje, 65% das profissões que as crianças irão seguir ainda não foram inventadas. A diversidade faz parte de como nós nos preparamos para este futuro”, afirma. Maite participou, na última terça-feira (19/11) do evento Transformation Talks, promovido pela ADP, provedora de soluções de gestão de RH.

 

As empresas, por outro lado, reconhecem que ainda há muito o que fazer a respeito disso. A Pirelli, por exemplo, diz que tem trabalhado nos últimos cinco anos para “eliminar os vieses de gênero” presentes na companhia, mas ainda enfrenta uma visão “masculinocêntrica” que os profissionais trazem para dentro da empresa.

 

 

“Começamos a transformação com as cotas. Eu considero isso muito tímido, mas é o começo de uma caminhada”, afirma Giusepe Giorgi, diretor de RH da Pirelli, que também participou do evento e comentou sobre a questão da diversidade em uma empresa tradicional com muitos anos de vida. O diretor de produto da ADP, Rafael Kiss, conta que um time mais diverso ajudou a empresa a aumentar a produtividade em 40% no seu centro de inovação, onde há, por exemplo, desenvolvedores com deficiência visual. “Estes colaboradores não têm medo de questionar o status quo”, afirma.

 

A capacidade de questionamento apontada por Kiss é habilidade considerada por especialistas como essencial para a era digital. Essa habilidade humana vem sendo cada vez mais valorizada em um cenário em que a tecnologia vem substituindo outras funções mais técnicas. A Pirelli concorda com a necessidade de valorizar o humano: “não vamos ser substituídos pelas máquinas. Não tenho receio de que a tecnologia irá superar o ser humano”, avalia Giorgi.

 

Transformação digital

 

O processo de transformação digital pelo qual as empresas vem passando também pede que as companhias, além de aumentarem a diversidade, também fiquem atentas ao que vem acontecendo na sociedade para que o ambiente corporativo reflita esses movimentos. Daniela Campos, diretora da Globo, lembra que a internet e as redes sociais trouxeram uma conversa muito menos hierarquizada, em que os protagonistas dos assuntos não necessariamente são especialistas ou entidades.

 

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“Isso precisa ser espelhado na companhia com estruturas menos hierárquicas, pessoas interagindo o tempo todo, sem fronteiras departamentais. Somos todos líderes”, diz Daniela. Segundo ela, formar um novo mindset – o mindset digital – é o entrave para que todas estas transformações aconteçam na prática.”O ambiente deve refletir a sociedade”, resume.

 

A falta de preparo para errar, ou seja, “pensar nos projetos com a cabeça de PMI”, também é citada como entrave por Cristina Lima, superintendente de RH da CSU. Além disso, pensar no consumidor final, mesmo para uma companhia que atua no B2B, como a CSU, é essencial.

 

Os líderes de RH também admitem quais são as falhas desse departamento na transformação digital e, a principal delas, é ter um área de recursos humanos que não seja digitalizada, desde o processo seletivo, passando pelo processo de onboarding, integração e as avaliações. Além disso, o propósito continua sendo importante para que profissionais se identifiquem com a companhia e embarquem nessa mudança.

 

“Hoje as pessoas se agrupam por temas de interesse nas redes sociais e isso tem muita força”, diz Daniela, que acredita que o mesmo efeito ocorre no ambiente corporativo quando os colaboradores estão conectados em um mesmo propósito.

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